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Tudo menos seda

Paulo Araujo 16 Junho, 2017 0
Tudo menos seda

Opinião Jovem: Artigo de João Oliveira Pascoal

A Opinião Jovem é um espaço semanal de artigos de opinião, escritos por jovens riomaiorenses para Rio Maior

 

Houve a meio de março um fim de semana em que aconteceram três coisas importantíssimas para nós portugueses: a visita papal, a vitória do Salvador na eurovisão e o tetra do Benfica. Sem querer retirar a devida importância a qualquer um dos três eventos, por volta desses mesmos dias, enquanto Portugal festejava, o «resto do mundo» sentava-se à mesa em Beijing para assinalar aquilo que já é visto por alguns entendidos como a reivindicação da China a líder mundial.

Estamos a falar da Nova Rota da Seda, mais conhecida como Belt and Road, uma iniciativa do governo Chinês que passou praticamente despercebida por cá. Esta iniciativa surge da ideia lançada por Xi Jinping (atual líder da Republica Popular da China) em 2013. Um projeto que envolve valores astronómicos de investimento em infraestruturas por países espalhados ao longo da velha rota da seda, ligando a Asia à Europa e Africa. Está previsto um investimento de 505 mil milhões de dólares, nos primeiros cinco anos, em 68 países que representam cerca de 60% da população e um terço do PIB mundial.

É, sem dúvida alguma, o maior programa de diplomacia económica de sempre da China. Com o objetivo último de tornar a Eurásia (com o seu domínio) uma área económica e comercial que rivalize com a transatlântica (com domínio norte-americano). Irá romper com a máxima de um outro líder chinês, Deng Xiaoping, que queria uma China a esconder as suas capacidades, à espera do tempo próprio para as revelar e nunca assumindo a liderança. A nível interno, Xi Jinping espera acima de tudo estimular a economia chinesa, através dos contratos de empresas chinesas na nova rota, exportando betão, aço e outros metais que a China tem em excesso.

Em termos práticos, existem cinco grandes projetos que já estão operacionais, são eles: o caminho de ferro de Yiwu (China) até Londres (Reino Unido), o porto de Gwadar (Paquistão), o caminho de ferro até ao Irão, os gasodutos na Ásia Central e o porto seco de Khorgos (Cazaquistão). Mas esta Nova Rota da Seda vai mais além, é uma cooperação em estradas, caminhos-de-ferro, portos, transportes marítimos e fluviais, aviação, gasodutos, eletricidade e telecomunicações; tudo numa teia à escala mundial que mais se parece com um polvo gigante a abraçar o mundo, ou pelo menos, parte dele.

Tal como vos disse no início, foi a meio de março que a China convidou os seus parceiros a assinar uma primeira declaração conjunta, numa espécie de um lançar da primeira pedra. Chamaram-lhe Belt and Road Forum e juntaram 30 chefes-de-Estado de países tao dispares como: Rússia, Itália, Mongólia, Quénia, Argentina, Filipinas e Laos, por exemplo. O português António Guterres também esteve presente, representando a Organização das Nações Unidas. Não faltaram os lideres do FMI, Banco Mundial e da Organização Mundial do Comércio. Até os nossos irmãos espanhóis estiveram presentes. Fim ao cabo, parece que esteve lá tudo menos nós. Disse um diplomata chinês, sob anonimato, que alguns países europeus se recusaram a assinar o acordo, representando um pequeno contratempo nos esforços de Beijing para ganhar o apoio total para a sua iniciativa. Portugal está dentro desse grupo que conta também com o Reino Unido e a Estónia, por exemplo.

Óbvio que com tanta coisa para festejar, tudo isto nos passou ao lado, inclusive a recusa portuguesa. Vai-se saber lá porquê. Se é sabido que na Nova Rota da Seda se negociará de tudo menos seda, está visto que em Portugal se falará de tudo menos seda.

 

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