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Como é viver na Dinamarca

Paulo Araujo 17 Junho, 2017 0
Como é viver na Dinamarca
Artigo de Opinião de Sara Nunes

Eu chamo-me Sara, tenho 20 anos e este mês faz 10 meses desde que vim para a Dinamarca, que comecei os meus estudos neste país e que a minha vida mudou completamente.

Quando terminei o secundário a única coisa que tinha claro era que queria estudar no estrangeiro pois sempre adorei viajar, aprender outras línguas e culturas. Através de uma empresa educativa, descobri que era possível estudar gratuitamente em alguns países da Europa. Isto despertou o meu interesse para continuar os meus estudos num destes países. Então depois de muita pesquisa, rendi-me completamente aos encantos da Dinamarca. Não só porque o ensino é gratuito, mas também porque é considerado o país mais feliz do mundo e é um país lindo.

Então prossegui à candidatura para algumas universidades aqui na Dinamarca. Recebi algumas ofertas e decidi estudar na Via University College (http://en.via.dk/) pois o curso que eu queria, Engenharia Informática tem cadeiras muito interessantes, é leccionado completamente em inglês e estágio. Para me candidatar apenas precisei de completar um exame de inglês académico com nota alta, o diploma de ensino secundário, o CV e uma carta de motivação e de referência. Podem parecer muitas coisas mas na verdade não são, mas o processo de candidatura é diferente do de Portugal – ao contrário de Portugal, não é só a média do secundário que conta, é feito todo um processo qualitativo e não quantitativo.

Outra vantagem é não serem precisos exames nacionais. O meu campus é localizado em Århus, a segunda maior cidade da Dinamarca. Uma cidade internacional e de estudantes.

A minha Universidade é muito moderna e tem um nível de ensino muito bom, excelentes salas de aula, áreas de convívio, bibliotecas e dormitórios para estudantes. Tem vários cursos em Inglês, pelo que há um ambiente muito multicultural. Para além disso, os dinamarqueses falam Inglês muito bem, pelo que a língua não é um problema. Apesar disso, o governo oferece aulas grátis de dinamarquês e eu estou a aprender a língua pois acho importante para o futuro, se continuar a viver na Dinamarca e para integrar-me ainda melhor.

O melhor disto tudo é que a universidade é totalmente gratuita, desde livros a software necessário para estudar. Apesar, de não ter despesas nenhumas relativamente à educação tenho que pagar alojamento e alimentação, posso dizer que os quartos na minha cidade têm um custo média de 300-400€ com tudo incluído e a comida no supermercado é aproximadamente o mesmo preço que em Portugal. Restaurantes, entretenimento e transporte é, no entanto, muito mais caro que em Portugal. Visto que o custo de vida é mais elevado que em Portugal decidi procurar trabalho antes de me mudar

Foi assim, procurei trabalhos online e encontrei uma família onde trabalhei como au pair. Comecei por ser au pair, o que me permitiu ter alojamento e alimentação gratuitos quando cheguei à Dinamarca. A família para a qual estive a trabalhar deu-me imenso apoio nos meus primeiros tempos na Dinamarca, o que facilitou bastante a minha adaptação a esta nova realidade, costumes e cultura.

Depois desta experiência, tive outros trabalhos, maioritariamente temporários, em armazéns, limpezas, restaurantes e como baby-sitter pois queria ganhar algum dinheiro extra. Todos eles já eram excelentes trabalhos como part-time, mas um dia a sorte bateu-me à porta. Isto aconteceu quando encontrei um anúncio na minha universidade que dizia: “Portuguese students required”. Isto, para mim, foi uma surpresa pois nunca pensei que pudesse fazer uso da minha língua materna para trabalhar na Dinamarca.

Agora eu trabalho como Country Marketing Manager, uma empresa que vende acessórios e jóias para homens. A Trendhim (www.trendhim.pt) é uma empresa, eu diria, típica dinamarquesa, completamente descontraída, no nosso escritório temos bolo, cerveja, ping-pong e até passadeiras para correr. Trabalhar numa empresa assim é óptimo, no entanto tenho imensa responsabilidade a recair sobre mim, visto que sou responsável por todo o mercado português. Felizmente, os meus colegas e os meus chefes sempre foram muito prestáveis, atenciosos e compreensivos comigo. Sempre se mostraram dispostos a ajudar-me e a fazer de mim uma melhor profissional. E fico muito agradecida pois já aprendi imenso desde que comecei a trabalhar aqui e sei que esta experiência me vai ajudar no futuro. O ambiente na empresa é muito descontraído, todos são muito acessíveis, educados, bons colegas e não existe nenhum tipo de discriminação.

Isto não acontece só na minha empresa, acontece em todas as empresas dinamarquesas. A mentalidade e a forma dos dinamarqueses encararem o trabalho, os serviços e os negócios é assim. Em full-time, eles trabalham uma média de 33 horas por semana, das 8 às 16, com um equilíbrio entre a vida e o trabalho. O trabalho fora dos horários estabelecidos não é considerado. Eles têm muito tempo livre e aproveitam-no ao máximo, o estilo de vida dinamarquês é super saudável e , e a uma das razões para serem o país mais feliz do mundo. Eu penso que o estilo de vida deles é completamente inspirador e mudou muito a minha perspectiva de vida.

Como se isto não bastasse, o trabalho é muito flexível e tenho total liberdade na escolha das horas de trabalho desde que complete 46 horas por mês, o que não é quase nada. Os trabalhos aqui são muito bem remunerados, na ordem dos 16€ por hora. Para além do meu salário, recebo a bolsa do estado para estudantes trabalhadores, no valor de cerca de 740€. Temos ainda acesso à saúde completamente grátis. Para mim, isto é completamente inacreditável, a qualidade de vida é simplesmente excelente aqui.

Estudar no estrangeiro não é muito fácil, porque parece que estamos a deixar tudo para trás e temos que ser completamente independentes. Mas por outro lado, para mim foi a melhor decisão que fiz, pois provou ter sido uma excelente experiência e sei que vou conseguir ter sucesso no futuro, quer no capítulo académico, como no profissional e, para além disto, tornei-me uma pessoa bem mais matura e mais preparada para os desafios que vou enfrentar no futuro. Por fim, mas não menos importante, é fantástico eu poder afirmar que, com apenas 20 anos, sou completamente independente financeiramente falando, algo que seria praticamente impensável acontecer, caso eu tivesse ficado em Portugal.

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