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Feliz de quem cresce como uma maçã realmente biológica: com pintas e muito doce

Paulo Araujo 3 Julho, 2017 0
Feliz de quem cresce como uma maçã realmente biológica: com pintas e muito doce
Por: Carla Ferreira – Psicóloga, Psicoterapeuta

Educar crianças deveria vir escrito num livro, onde tudo se ensinasse e desenhasse em letras certas e ritmadas? Não, não devia. Educar seres humanos, ajudá-los a crescer, é uma tarefa demasiado nobre para caber num manual insensível, isento de lágrimas, de sorrisos e de beijinhos que curam dói-dóis. Talvez por isso seja um desafio enorme, talvez também por isso seja difícil, surjam dúvidas, questões de dia a dia, de incertezas, de medos, por parte de quem quer dar o seu melhor para o que o mundo lhe deu de melhor: os filhos.

É muito fácil mirar o redor e saber o que é certo fazer quando se olha para a menina que grita no supermercado, enquanto a mãe, envergonhada, tenta silenciá-la com uns pequenos truques ao ouvido, que nunca funcionam nas horas difíceis. É muito rápida a nossa acção de julgar o vizinho que deixa o adolescente sair, na mesma medida em que aplaudimos o amigo que consegue impor as regras, na mesma exacta descrença com que duvidamos da eficácia pedagógica dos métodos do colega lá do trabalho, que consegue uns milagres duvidosos com os seus pequenos rebentos.

É fácil criar a ansiedade da perfeição da execução, e na ânsia de cumprir todos os artigos que se escrevem sobre o assunto, entramos de rompante num turbilhão de normas sobre o que é normal e o que é patológico, o que é certo e o que é errado, o que é recomendável e o que, por força dos artigos ditadores de acções, é exactamente a fórmula mágica para conseguir o milagre do sucesso. Ora educar, não é nada disto. Educar é feito especialmente com o coração e o bom senso, as únicas armas que conheço contra os exageros da “perfeição”, a malina impossível e manipuladora, diria até que a verdadeira e real mãe de todos males. A perfeição, não sabe nada. São as mães e são os pais que sabem o que é melhor para as crianças, ou qualquer outro, que em substituição faça o papel na imperfeição.

Somos nós que conhecemos o cheiro dos cabelos e da felicidade, das febres e das tristezas, das vontades e dos medos. Só nós sabemos se um choro alto é mesmo aflito, ou se significa apenas uma birra, só nós conhecemos se aquele ar de zangado significa que estão realmente zangados, ou se apenas quer dizer que estão com vontade de brincar connosco, e de nos pregar uma partida. Só nós sabemos se aqueles olhos luminosos são de quem está com uma gripe ou apenas com sono, e se aquelas mãos geladas significam febre, ou se querem apenas dizer que estiveram horas a brincar na rua, até ficar frio, até escurecer, até ser hora de entrar em casa e perguntar, – o que é o jantar, mãe?

A norma ajuda-nos a pautar o que é regular. Medimos, pesamos, precisamos da tranquilidade de saber que crescem e ganham o peso pretendido, nos meses exactos, no passo certo da curva evolutiva, da tal da perfeição. Tudo certo, muito bonito, mas não esqueçam nunca do resto, que é quase tudo. O resto é a individualidade de cada um, é o crescer dentro do seu próprio lugar e vida, e não, nunca, dentro de um padrão que regula a norma, uns bonecos de riscas, todos iguais, na filinha de uma loja de brinquedos infelizes. Ou umas maças sem pintas, pouco ou nada doces.

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