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Mãe, para que servem as lágrimas?

Paulo Araujo 29 Julho, 2017 0
Mãe, para que servem as lágrimas?
Por: Carla Ferreira – Psicóloga, Psicoterapeuta

As lágrimas são, juntamente com os sorrisos, as zangas, os medos e o amor, partes integrantes de nós mesmos. Houve um tempo em que o mundo fez pouco delas, deixava que permanecessem nos olhos das meninas fracas e muito assustadas, nos rostos dos meninos mais pequenos, mas teimou em limpá-las da pele dos mais crescidos e dos adultos que crescem a acreditar que quem chora é muito fraco. Como se só quem guardar o que sente possa viver muito importante, e só quem cale as zangas e engula o grito, possa ser considerado o mais bem educado de todos os meninos lá da escola.

O ensinamento leva a que o mundo seja um lugar falso, onde o que se reprime é a verdade, e o que se mostra é aquilo que está escrito no código deontológico das palavras dos crescidos, esquecendo o mundo que cada pessoa, cada menino e cada menina, guarda dentro de si. Um vocabulário individual, pessoal e intransmissível, que pode sair pela forma de gestos, de lágrimas, de caras tristes e de olhos muito abertos, de espanto ou de felicidade, um universo inteiro onde o reino das fadas pode viver, onde os sonhos podem fazem sorrir na tristeza, onde um buraco muito fundo, com monstros maus que nem existem, pode matar de medo quem os imagina no escuro da incerteza.

Os meninos certinhos e caladinhos, que aprendem e não falam lá muito, são os bons alunos, os bons vizinhos, os futuros adultos de fato, gravata, lenço de pano e porte recto. Os rapazes que não mostram o que sentem são os mais valentes de todos, são uns Homens, mesmo que lá dentro lateje uma dor que perfura o coração, os ossos e os cabelos daquelas crianças que se calhar são feitas de um material especial que não dói e não arde, e portanto não precisa de se curar.

As raparigas são aquelas que necessitam de calar e consentir o que é considerado certo mesmo quando não o é, porque zangar é muito feio, e portanto é necessário reprimir mesmo o que não se gosta, mesmo o que não se quer, nem que se engula para dentro uma ira muito maior do que o corpo que a acolhe, e que às vezes faz explodir as palavras silenciosas do desespero (Dá-me vontade de perguntar se ninguém percebe que este excesso de concórdia leva a territórios danosos de obediência extrema, para além de fazer com que dentro do peito dessas meninas e mulheres surja um reservatório onde crescem ninhos de bichinhos maus, que comem pessoas por dentro, devagarinho).

Nunca percebi muito bem o que tem o mundo contra as emoções. O que faz com que não sejam aceites todas elas, como quem aceita um café de manhã cedo para acordar, um colo para adormecer, um beijo para curar uma saudade. É como se a vontade fosse partir-nos aos bocadinhos, permitindo a certeza de um corpo colado a cola cuspo, que bem vistas as coisas descola a cada tempestade, e cola-se outra vez, a martelo. Não seria mais fácil chorar?

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