
Uma mulher, residente no concelho de Rio Maior, denuncia ter sido vítima de uma alegada burla, ocorrida na tarde do passado dia 30 de julho, na cidade de Rio Maior, através de um esquema cuidadosamente preparado que culminou na troca do seu cartão bancário e no levantamento fraudulento de 10 mil euros.
Segundo o relato da vítima, tudo aconteceu por volta das 14h50, quando circulava de automóvel na Avenida Mário Soares, próximo da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.
Momentos antes, ao passar na rotunda junto ao Lidl e aos Bombeiros, ouviu um forte impacto no veículo, semelhante ao de uma pedra. Apesar de ter olhado em redor, não observou qualquer situação anormal e prosseguiu a marcha, convencida de que se tratava apenas de um objeto que tinha atingido o automóvel.
Pouco depois, apercebeu-se de que uma viatura seguia atrás de si, fazendo sinais de luz, buzinando insistentemente e gesticulando para que parasse. O veículo acompanhou-a até ao local onde estacionou.
Assim que saiu do carro, foi abordada por dois homens, tendo um deles se dirigido imediatamente até si de forma intimidatória, afirmando que ela tinha embatido na viatura em que seguiam e que tinha abandonado o local sem parar.
Os indivíduos apresentaram-se como trabalhadores da Unidade da Lezíria, alegando que se encontravam a efetuar distribuição de medicamentos. Mostraram um pequeno risco na sua viatura e afirmaram que o alegado embate teria danificado um sensor essencial ao funcionamento do GPS, equipamento que diziam necessitar para desempenhar o seu trabalho.
Segundo a vítima, um dos homens indicou também, com grande precisão, um risco existente no seu próprio automóvel, convencendo-a de que ambos os danos tinham resultado da alegada colisão.
Perante a situação, perguntaram-lhe se pretendia chamar a Guarda Nacional Republicana ou resolver o assunto no local. A vítima respondeu que aceitaria a solução que considerassem mais adequada.
Durante toda a abordagem, descreve que o condutor manteve uma postura séria e intimidatória, enquanto o passageiro conduziu praticamente toda a conversa. Este simulou um telefonema para um alegado colega, identificado apenas como “Pedro”, afirmando que seria possível resolver o problema sem recorrer às autoridades e que apenas seria necessário substituir o sensor, cujo custo seria de 55 euros.
Quando a vítima perguntou se poderia efetuar o pagamento por MB Way, foi informada de que apenas seria possível pagar através de cartão bancário.
Foi então apresentado um terminal de pagamento. Depois de introduzir o código PIN, o equipamento foi-lhe retirado das mãos com o argumento de que teria existido um erro na operação.
Segundo a vítima, foi nesse momento que um dos suspeitos conseguiu observar o código PIN, enquanto o outro aproveitou a distração para substituir o seu cartão bancário por outro visualmente idêntico.
De seguida, informaram-na de que o terminal apresentava um problema técnico e que a operação não podia ser concluída naquele momento. Pediram-lhe o número de telefone e disseram que voltariam no dia seguinte para receber o valor em numerário. Sem suspeitar da troca, a vítima guardou o cartão que lhe foi devolvido.
Ainda durante a abordagem, apercebeu-se da existência de outro cartão bancário junto aos pés de um dos suspeitos. Quando alertou para esse facto, afirma que ambos demonstraram algum embaraço antes de o recolherem.
Já depois de abandonar o local, a vítima começou a refletir sobre toda a situação e percebeu que vários detalhes não faziam sentido. Nunca sentiu qualquer colisão entre veículos, apenas ouvira um ruído semelhante ao impacto de uma pedra, e os alegados danos apresentados pelos suspeitos não eram compatíveis com o que tinha sentido durante a condução.
Pouco tempo depois, foi alertada para a realização de vários levantamentos bancários não autorizados.
Segundo as informações recolhidas posteriormente, foi efetuado um primeiro levantamento na agência da Caixa Geral de Depósitos de Rio Maior, seguindo-se novos levantamentos na agência da Caixa Geral de Depósitos da Benedita, totalizando 10.000 euros, distribuídos por cinco operações de 2.000 euros cada.
A vítima refere ainda que, na agência de Rio Maior, um funcionário terá chamado a atenção de um dos suspeitos por permanecer no interior do banco com o rosto tapado. O homem, que alegadamente falava com sotaque brasileiro, usava máscara, boné e óculos e respondeu que se encontrava doente. Apesar desse alerta, os levantamentos prosseguiram.
Dois dias depois dos acontecimentos, ao inspecionar cuidadosamente o veículo, a vítima encontrou duas marcas compatíveis com o impacto de uma pedra, incluindo vestígios de tinta removida. Na sua perspetiva, a pedra terá sido utilizada propositadamente para criar a convicção de que tinha ocorrido um embate e justificar a abordagem.
A vítima acredita igualmente que os autores conheciam previamente um risco existente no seu automóvel, circunstância que poderá indicar que o veículo foi previamente observado ou escolhido antes da execução da burla.
Através da divulgação deste caso, a vítima pretende alertar a população para um método de burla que recorre à simulação de um acidente de viação para ganhar a confiança da vítima, obter o código PIN do cartão bancário e proceder à sua substituição, permitindo posteriormente a realização de levantamentos fraudulentos.
A vítima apela ainda a que qualquer pessoa que tenha presenciado os acontecimentos ocorridos na tarde de 30 de julho de 2026, na Avenida Mário Soares, em Rio Maior, ou que possua informações relevantes sobre os suspeitos ou a viatura utilizada, contacte as autoridades competentes, contribuindo assim para a investigação e para a prevenção de novos casos.














