
Mais de 300 participantes e mais de uma centena de escolas profissionais reuniram-se em São Pedro do Sul para debater as principais reformas do ensino profissional, numa iniciativa promovida pela ANESPO que colocou no centro da agenda o novo Catálogo Nacional de Qualificações, a educação inclusiva e a otimização dos Centros Tecnológicos Especializados.
A Escola Profissional do Vale do Tejo (EPVT) esteve em destaque nas Jornadas Pedagógicas 2026 promovidas pela Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO), ao dinamizar a sessão “Dilemas das Direções Pedagógicas (conversa à volta da mesa)”, dedicada aos desafios que diariamente marcam o trabalho das direções e coordenações pedagógicas das escolas profissionais. A iniciativa, realizada na Escola de Turismo Dão Lafões, em São Pedro do Sul, reuniu mais de 300 participantes, em representação de cerca de uma centena de escolas de todo o país, afirmando-se como o principal momento anual de reflexão, formação e partilha da rede de associados da ANESPO. As Jornadas Pedagógicas de 2026 dedicaram-se ao tema “Ensino Profissional + Flexível + Inclusivo: com o CNQ e os CTE na bagagem” e colocaram em debate as principais transformações que estão a marcar o ensino profissional em Portugal, desde a implementação do novo Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ) até aos desafios da educação inclusiva, da sustentabilidade, da inovação pedagógica e da valorização das lideranças no setor.
Entre os momentos de maior interesse destacou-se a sessão “Dilemas das Direções Pedagógicas”, dinamizada por Manuela Baião, da Escola Profissional do Vale do Tejo, em conjunto com Joana Ribeiro, da Escola Profissional Ruiz Costa. O debate colocou no centro da discussão a realidade vivida diariamente pelos responsáveis pela coordenação pedagógica das escolas profissionais. Ao longo da sessão foram discutidas questões fundamentais para o funcionamento das escolas, como a gestão do tempo de serviço docente, a constituição de turmas, a organização da Formação em Contexto de Trabalho (FCT), a recuperação das aprendizagens e da assiduidade, a elaboração de horários, a gestão de recursos humanos, a educação inclusiva, o acompanhamento de alunos estrangeiros e de língua não materna, bem como a articulação com entidades externas, entre elas as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e o Ministério Público.
A sessão evidenciou que muitos destes desafios são comuns às escolas profissionais de todo o país, reforçando a importância de criar espaços onde os profissionais possam partilhar experiências, discutir soluções e construir respostas conjuntas. É precisamente esse um dos objetivos centrais das Jornadas Pedagógicas promovidas pela ANESPO: proporcionar aos seus associados oportunidades de aprendizagem colaborativa que contribuam para melhorar a qualidade da gestão pedagógica e, consequentemente, o sucesso dos alunos.
Ao longo dos dois dias de trabalhos, o novo Catálogo Nacional de Qualificações assumiu um papel central nas discussões. Sandra Lameira, Diretora do Departamento do Catálogo Nacional de Qualificações da ANQEP, explicou o novo modelo assente em resultados de aprendizagem e competências, defendendo uma maior flexibilidade curricular e uma organização do ensino mais centrada naquilo que os alunos são efetivamente capazes de fazer. Ao longo das sessões, foram igualmente apresentados exemplos concretos de escolas que já estão a reorganizar os seus currículos, metodologias e formas de avaliação para responder ao novo paradigma, privilegiando projetos, interdisciplinaridade, aprendizagem integrada e uma avaliação baseada em evidências em vez da mera memorização de conteúdos.
Outro dos grandes eixos das Jornadas foi a educação inclusiva. Paulo Pedroso, Coordenador da Equipa de Avaliação da Educação Inclusiva para o PESSOAS 2030, alertou para a necessidade de reforçar a participação dos alunos na vida das escolas, defendendo que “a voz dos alunos está a perder-se” e lembrando que “a inclusão é um percurso, não um destino”. A intervenção foi enquadrada por Joaquim Bernardo, Vogal Executivo da Comissão Diretiva do PESSOAS 2030, que sublinhou a importância de consolidar práticas inclusivas através das escolas, da articulação entre entidades e do reforço de recursos.
A sustentabilidade e a governança ambiental, social e corporativa (ESG) constituíram igualmente uma das novidades mais relevantes da edição deste ano. Através do projeto Educa 4.0, apresentado por Jéssica Rosa, Coordenadora e Técnica do Projeto, foi dado a conhecer o desenvolvimento de uma plataforma nacional que permitirá às escolas profissionais medir o seu desempenho ambiental, social e de governação, que irá disponibilizar ferramentas de diagnóstico, formação, planeamento e monitorização que reforcem a sustentabilidade das organizações educativas.
Na sessão de encerramento, Ana Coelho, Presidente do PESSOAS 2030, reforçou que o ensino profissional representa cerca de 25% da dotação do programa, correspondendo a um investimento de cerca de 1,2 mil milhões de euros, reconhecendo as escolas profissionais como parceiras estratégicas no aumento das qualificações da população portuguesa. Também Teresa Silva, da área de educação da CCDR Centro, sublinhou que o ensino profissional constitui um dos principais motores de desenvolvimento económico e de coesão territorial, valorizando o trabalho desenvolvido diariamente pelas escolas junto dos jovens, das empresas e das comunidades locais.
As sessões incluíram ainda momentos de pausas ativas, dinamizados no âmbito da campanha “Pausas Ativas e Micro Pausas” da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), uma iniciativa que promove a integração de breves períodos de atividade física ao longo da jornada de trabalho, com o objetivo de prevenir a fadiga física e mental, reduzir o risco de lesões músculo-esqueléticas e promover o bem-estar e a saúde. A inclusão destas práticas nas Jornadas reforçou a preocupação da ANESPO em valorizar a inovação pedagógica e a qualidade das condições de trabalho e o bem-estar dos profissionais da educação.
As Jornadas Pedagógicas terminaram com a passagem de testemunho para a edição de 2027, que decorrerá na Escola Profissional Amar Terra Verde, em Vila Verde (Braga). Ao promover este espaço de reflexão entre escolas, especialistas e decisores públicos, a ANESPO voltou a afirmar o seu papel enquanto principal interlocutor de partilha de conhecimento, construção de soluções e representação das escolas profissionais portuguesas, criando condições para que os seus associados possam responder de forma mais eficaz às exigências da transformação do ensino profissional.
Para o Presidente da ANESPO, Amadeu Dinis, esta é “a altura de levar as Jornadas para o Norte do país”, sublinhando que este é “o momento mais importante da vida associativa da ANESPO”, por permitir às escolas profissionais partilhar experiências, debater desafios e construir soluções conjuntas. O responsável destacou ainda que os Centros Tecnológicos Especializados e o novo Catálogo Nacional de Qualificações marcaram esta edição e garantiu que a associação continuará a aprofundar estes temas, sem esquecer questões como o financiamento e a sustentabilidade financeira das escolas. O Diretor da Escola de Turismo Dão Lafões, José Miguel Antunes, agradeceu a escolha da escola para acolher o encontro, considerando que a realização das Jornadas em São Pedro do Sul demonstra que “uma escola pequena, embora modesta, pode ter um impacto significativo no desenvolvimento de todo um território e de uma região”.
















