

A passagem do 50.º aniversário do Dia do Agricultor Livre foi assinalada, em Rio Maior, no último domingo, 13 de julho, através de uma homenagem que recordou este dia no longínquo ano de 1975, um momento histórico de resistência agrícola e da fundação da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal.
Recorde-se que a 13 de julho de 1975 os agricultores de Rio Maior, e não só, impediram a ocupação do Grémio da Lavoura, num gesto de coragem que ficou conhecido como o Dia do Agricultor Livre – símbolo da força do mundo rural, da liberdade conquistada e do direito à propriedade privada.
Assim, no último domingo, a Confederação dos Agricultores de Portugal juntou-se à Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior e com o apoio da Câmara Municipal de Rio Maior, promoveu uma celebração aberta à comunidade, que homenageou a importância contínua da agricultura no desenvolvimento do país.
Do programa desta recriação histórica, destaque para um desfile de tratores, que contou com a participação de 113 tratores agrícolas, que se concentraram na Cooperativa Agrícola de Rio Maior, desfilando depois pelas ruas da cidade.
Seguidamente, no Jardim Municipal de Rio Maior, foi descerrada uma placa alusiva ao 50.º aniversário do Dia do Agricultor Livre.
Houve ainda lugar a uma sessão evocativa que contou com as intervenções do Presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, do Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Filipe Santana Dias, e de alguns agricultores presentes neste movimento há 50 anos atrás.

Destaque para a intervenção do agricultor riomaiorense Joaquim Nazaré Gomes, um dos grandes impulsionadores deste evento e que recordou como tudo aconteceu naquele dia 13 de julho de 1975.
“Em pleno Verão Quente, e sob a égide de uma ditadura de Esquerda às ordens de Moscovo, o Partido Comunista dominava a seu bel-prazer do Algarve ao Ribatejo. Sucediam-se assim as ocupações selvagens às herdades e a cintura Industrial de Lisboa encontrava-se em greve permanente. Contudo, havia uma espinha cravada na garganta de Álvaro Cunhal: é que no Norte trabalhava-se! Dada a conjuntura, o país estava completamente dividido em dois, o que não era incómodo para o Chefe do Partido Comunista que publicamente afirmava que as revoluções não se ganhavam com eleições”, conta Joaquim Nazaré Gomes.
O conhecido agricultor riomaiorense recorda que “sob a ávida pretensão de ocupar terra alheia, começavam a avançar para Norte e o primeiro sinal é dado com a ocupação da maior herdade murada da Europa – a Torre Bela – situada a Norte do Tejo, mesmo às portas de Rio Maior.
Seguindo o rumo, marcaram para o dia 13 de Julho a ocupação do Grémio da Lavoura de Rio Maior, visando assim abrir caminho para o Oeste e Norte do País. Mas é aqui que a Esquerda radical sofre o primeiro revés. É que no dia marcado para a ocupação estavam mais de 400 agricultores à porta do Grémio, impedindo que esta se concretizasse! Houve escaramuças, apreensão de espingardas e foram destruídas as sedes do Partido Comunista e da Frente Socialista”.
Joaquim Nazaré Gomes referiu que “os dias que se seguiram foram decisivos para travar a onda revolucionária em curso. Com a comunicação social nacionalizada e ocupada pelo Partido Comunista desencadeou-se uma onda de insultos aos agricultores de Rio Maior. Em retaliação, a população e os agricultores esperavam as carrinhas que transportavam os jornais para o Centro e Norte do País, de forma a inutilizá-los e impedir que seguissem o seu destino para Norte. Esta situação manteve-se mais de uma semana, levando a população a exigir, através de várias manifestações, a intervenção das autoridades e a reposição da verdade”.
Prosseguindo, disse que “o Governador Civil de Santarém e altas patentes das Forças Armadas deslocaram-se a Rio Maior. Dois dias depois, veio também a televisão como tinha sido exigido pela população. Apesar da hesitação inicial, acabaram por divulgar um comunicado aprovado pelo povo de Rio Maior, o que contribuiu para serenar os ânimos. À Associação dos Agricultores de Rio Maior foram-se juntando agricultores de todos os pontos do País, constituído assim um secretariado nacional em Rio Maior. Este secretariado que reunia todas as semanas e promovia vários plenários a nível nacional, reivindicava o fim das ocupações selvagens e a revogação da Lei 406-A que as legitimava”.
Joaquim Nazaré Gomes concluiu este seu relato dizendo que “tudo culminou numa manifestação nunca antes vista com milhares de agricultores de todo o país, onde se aprovaram os estatutos da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) na noite de 24 de Novembro, dando assim o mote para o 25 de Novembro de 1975”.
Este evento do último domingo ficou ainda marcado por um almoço-convívio realizado no Jardim Municipal, o qual reuniu centenas de agricultores e população em geral.
















