
A Biblioteca Municipal de Tomar recebeu, nos dias 8 e 9 de maio (com atividades prévias logo a 7), a 16.ª edição do Bibliotecando em Tomar. Valter Hugo Mãe, autor homenageado, foi presença assídua nos dois primeiros dias, neste festival que debateu as tensões dialógicas “Entre o natural e o construído”.
A iniciativa começou na tarde de quinta-feira com o encontro do escritor com os alunos dos dois Agrupamentos de Escolas de Tomar, numa proveitosa conversa com pertinentes intervenções dos estudantes, seguida de uma visita à exposição de trabalhos inspirados na obra do autor.
À noite, o público teve oportunidade de assistir a uma ante-estreia do filme “De Lugar Nenhum”, de Miguel Gonçalves Mendes, o mesmo realizador de “José e Pilar”, sobre Saramago e a sua companheira Pilar del Rio, a qual esteve presente, tal como Valter Hugo Mãe, sobre o qual versa este belíssimo documentário.
A programação oficial do Bibliotecando começou no dia seguinte, com a sessão de abertura presidida por Guilherme d’Oliveira Martins e na qual a vice-presidente da Câmara Municipal de Tomar, Célia Bonet, frisou a importância deste evento e o empenho da autarquia em apoiar quer esta, quer outras iniciativas de reflexão, com forte componente cultural e educativa.
Deu-se assim início a um dia completamente dedicado à obra do autor de “O filho de mil homens”, cujo primeiro momento foi a conferência proferida pelo professor Carlos Reis, um dos maiores especialistas portugueses em romance e que transportou os participantes para o ambiente de uma das suas memoráveis aulas na Universidade de Coimbra.
Procedeu-se em seguida à entrega do Prémio Bibliotecando em Tomar 2026 a Valter Hugo Mãe, uma obra de arte realizada e apresentada pela artista e professora Rita Gaspar Vieira.
Referência ainda à presença de alunos dos Agrupamentos de Escolas Nuno de Santa Maria e Templários que, no conjunto dos dois dias, apresentaram música e poemas de e alusivos ao autor, incluindo uma emotiva leitura de um poema nas línguas maternas de vários jovens estudantes do concelho, bem como a entrega ao escritor de dois desenhos realizados por alunos.
À tarde, Maria do Rosário Pedreira, Fátima Vieira, Pilar del Rio, Carlos Nogueira e Ricardo Duarte enriqueceram os “Diálogos em torno da vida de Valter Hugo Mãe“ com os seus profundos conhecimentos da obra e do homem.
E à noite, numa iniciativa em parceria com a Musicamera Produções, através do projeto CriaSons, houve tempo para uma conversa aberta e bem temperada de música, conduzida por Nuno Garcia Lopes, com o escritor e com o guitarrista brasileiro Yuri Marchese, tendo por base “A máquina de fazer espanhóis”, um dos seus mais aclamados livros.
Para o derradeiro dia ficou uma reflexão mais centrada na temática “Entre o natural e o construído”. Primeiro com Alexandre Castro Caldas, Arlindo Oliveira e José Borbinha, debatendo a questão bem atual das tecnologias digitais e da inteligência artificial, com moderação de António Manso.
Depois, dirigido pela vereadora do município Célia Bonet, o painel sobre as tensões e diálogos no território, com José Alho e Luísa Schmidt.
E, à tarde, mais um painel de excelência, coordenado por Francisco Sobral do Rosário, com a dupla de artistas Rita Castro Neves e Daniel Moreira, a gestora da Academia do Plano Nacional das Artes, Sandra Cardoso, e o escritor José Gardeazabal, com a colaboração do público presente que leu expressivamente excertos de alguns dos seus livros.
Para o final, como é prática habitual, a Comissão Organizadora (que inclui os Agrupamentos de Escolas Nuno de Santa Maria e Templários, o Município, o Centro de Formação ‘’Os Templários’’, o Centro Nacional de Cultura, o Instituto Politécnico de Tomar e a Rede de Bibliotecas Escolares), tomou lugar na mesa, acompanhada da vice-presidente da Câmara de Tomar, revelando o tema escolhido para a edição de 2027, a realizar a 7 e 8 de maio, e que voltará a ser de grande atualidade: “Livros – um caminho para a Paz”.
















