
No ecossistema dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), a proximidade e a integração são os pilares fundamentais para uma resposta humanizada e eficiente. No centro desta missão estão as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), que têm como um dos seus braços mais operacionais as Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI). Estas equipas constituem uma resposta domiciliária da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), criada pelo Decreto-Lei n.º 101/2006, de 6 de junho. Estas equipas multidisciplinares têm como missão prestar cuidados de saúde e apoio social integrados a pessoas em situação de dependência funcional, doença crónica, convalescença ou condição terminal, permitindo que permaneçam no seu ambiente familiar e comunitário sempre que clinicamente adequado. A sua atuação assenta nos princípios da continuidade de cuidados, proximidade, promoção da autonomia e articulação entre os cuidados de saúde primários, hospitalares e sociais.
Em junho de 2026 a ECCI Caldas da Rainha/Óbidos deu um passo em frente com a sua integração no projeto-piloto enquadrado na estratégia nacional definida pela Direção Executiva do SNS para reforçar os cuidados domiciliários e reorganizar a resposta da RNCCI. Regulada pela Portaria n.º 156/2025, de 7 de abril, esta iniciativa pretende testar um novo modelo organizacional e funcional das ECCI, melhorar a articulação com os Serviços de Apoio Domiciliário (SAD), otimizar os processos de referenciação e garantir uma identificação mais precoce das situações de fragilidade e dependência. O objetivo é aumentar a capacidade de acompanhamento no domicílio, reduzir a institucionalização evitável e diminuir a utilização dos serviços de urgência, promovendo simultaneamente ganhos em saúde, satisfação dos utentes e sustentabilidade do sistema.
A UCC Caldas da Rainha/Óbidos concentra uma das maiores populações séniores (com idade igual ou superior a 75 anos) de toda a ULS. Este cenário demográfico realça a necessidade de um modelo de cuidados domiciliários robusto.
Embora o processo de implementação decorra ainda sem a plena disponibilidade dos recursos físicos inicialmente previstos, a equipa tem demonstrado elevada capacidade de adaptação e excelência técnica, assente no conhecimento especializado das enfermeiras especialistas que a integram.
A importância estratégica desta Unidade é claramente espelhada nos indicadores de desempenho registados no sistema de informação para monitorização do desempenho da UCC. Comparando junho e julho de 2026 com os meses homólogos de 2025, verifica-se um aumento expressivo da atividade domiciliária: o número total de visitas domiciliárias teve um aumento de 25,5% em junho e de 41,2% em julho. Destacam-se também ganhos relevantes no controlo da dor, que aumentou de 50,00% para 85,7% em junho e de 33% para 76,5% em julho, e na melhoria da dependência no autocuidado, que atingiu 100% em ambos os meses de 2026, face a 50,00% em junho e 57,14% em julho de 2025. A incidência de úlceras de pressão reduziu-se para 0% em junho e julho de 2026, mantendo-se a efetividade na sua prevenção em 100%. Simultaneamente, diminuiu a proporção de utentes integrados na ECCI com internamento hospitalar, de 9,4% para 2,3% em junho e de 9,8% para 3,9% em julho, evidenciando uma evolução favorável dos resultados assistenciais.
Através de monitorização por questionários, os utentes atribuem ao serviço uma classificação de 9,21 pontos e os cuidadores de 9,10 pontos (escala de 0 a 10), demonstrando elevados níveis de satisfação. Paralelamente, os indicadores de perceção de saúde e bem-estar apresentam resultados superiores à média nacional, atingindo 11,60 pontos nos utentes e 11,80 pontos nos cuidadores.
Com o reforço dos recursos previstos para o projeto-piloto, será possível consolidar esta resposta e com este caminho de modernização e proatividade, a ECCI Caldas da Rainha/Óbidos reafirma-se como o garante de que envelhecer na comunidade pode ser sinónimo de dignidade, segurança e cuidados de saúde de excelência.















