Claro que, na lógica do desporto português, o futebol ocupa quase todo o espaço mediático. Mas há outros cenários onde Portugal também se agiganta. Há pelo menos três modalidades coletivas de pavilhão em que Portugal se bate, no contexto sénior, com as principais potências mundiais: andebol, futsal e hóquei em patins. Em duas dessas três – futsal e hóquei em patins -, o palmarés internacional da seleção é mesmo bastante superior ao do futebol.
E há ainda uma quarta modalidade, essa jogada ao ar livre, que merece capítulo próprio mais à frente: o futebol de praia. Para perceber a forma como são “respeitadas” em Portugal, importa interpretar o seu enquadramento a nível planetário. Desde logo, porque três delas carecem de um detalhe decisivo para serem “olhadas” de forma mais global: nem o futsal, nem o hóquei em patins, nem o futebol de praia fazem parte do programa olímpico. O andebol, esse, já lá está há meio século.
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Futsal: Portugal com papel decisivo na afirmação internacional
No que toca a essa dimensão olímpica, o futsal é o que está mais perto. Em outubro de 2024, a FIFA anunciou que iria pedir formalmente ao Comité Olímpico Internacional a inclusão das variantes masculina e feminina, e a modalidade já passou pelos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires 2018. Nada está decidido – o programa de Los Angeles 2028 já está fechado, pelo que a discussão real é Brisbane 2032 -, mas caiu entretanto um obstáculo de peso: a ausência de uma prova mundial feminina, que estava a “travar” a ambição olímpica da modalidade. A primeira edição do Campeonato do Mundo Feminino de Futsal disputou-se em novembro e dezembro de 2025, nas Filipinas.
E diga-se que Portugal está a ter um papel determinante nessa afirmação internacional. Nessa estreia mundial, a seleção feminina chegou à final e só perdeu com o Brasil (0-3), fechando a prova com a medalha de prata e com Ana Catarina eleita a melhor guarda-redes do torneio. Neste momento, há cerca de sete mil jogadoras de futsal federadas em Portugal, um número impensável há pouco mais de dez anos. E a boa notícia para quem quer ver a modalidade cada vez mais competitiva é que, ano após ano, aumentam as inscrições no futsal de formação um pouco por todo o país. Só com uma seleção nacional forte e clubes portugueses com títulos europeus (como é o caso) é que se pode manter este ritmo. As referências são hoje muitas e o caminho mais difícil está feito.
O hóquei em patins não atravessa os cinco continentes
No caso do hóquei em patins, que até já foi modalidade de exibição nos Jogos de Barcelona 1992, esse caminho de afirmação olímpica foi há muito interrompido e, verdade seja dita, é hoje uma modalidade de interesse concentrado num punhado de países. Aliás, com stick na mão, há três tipos de hóquei com interesses económicos bem acima do patinado.
Para além do óbvio hóquei no gelo, com uma NHL sensacional como cabeça de cartaz, há ainda o hóquei em campo (com enorme implantação na Índia e no Paquistão, mas também na América do Sul e na Europa) e o hóquei in-line (de patins em linha), globalizado por mais continentes, incluindo a Europa, com milhares de praticantes, por exemplo, em França e na Suíça.
Em Portugal, porém, o hóquei em patins tem um peso histórico enorme e continua, mesmo nos dias de hoje, a juntar muitos seguidores, que acompanham as respetivas equipas de uma liga interna muito competitiva e com clubes portugueses no topo da Europa.
Futebol de praia: é futebol, mas não é aquele de que se fala
Há ainda um caso à parte e, esse, nem sequer se joga em pavilhão. O futebol de praia é, tecnicamente, futebol – está sob a alçada da FIFA e, em Portugal, da própria Federação Portuguesa de Futebol -, mas não é o futebol que ocupa o espaço mediático. E é, no número de títulos mundiais, a segunda modalidade coletiva mais titulada do país, só atrás do hóquei em patins.
São três títulos mundiais: o de 2001, ainda sob organização da Beach Soccer Worldwide, e os de 2015 (em Espinho, diante do Taiti) e 2019 (no Paraguai, diante da Itália), já com a chancela da FIFA. Portugal é, aliás, a única seleção a ter vencido títulos mundiais antes e depois de a FIFA ter assumido a modalidade. A esses juntam-se oito títulos na Euro Beach Soccer League – prova de que é o maior vencedor de sempre -, sete Euro Beach Soccer Cup, sete Mundialitos e o ouro nos Jogos Europeus de 2019. E há Madjer, o primeiro jogador do mundo a ultrapassar os mil golos internacionais na modalidade.
O momento recente confirma o estatuto: depois de ter ficado pelos quartos de final em 2024, nos Emirados Árabes Unidos, a seleção fechou o Mundial de 2025, nas Seicheles, no terceiro lugar, ao bater o Senegal por 3-2 no jogo do bronze, na sequência da derrota com o Brasil nas meias-finais. E, tal como o futsal e o hóquei em patins, também o futebol de praia está fora do programa olímpico: o pedido que a FIFA levou ao Comité Olímpico Internacional em 2024 abrangia precisamente as duas modalidades – futsal e futebol de praia.
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A afirmação plena do Andebol em Portugal
O andebol já se afirmou a nível olímpico há muito – o torneio masculino regressou aos Jogos em Munique 1972 e o feminino estreou-se em Montreal 1976 – e é, além disso, uma modalidade de pavilhão mais do que globalizada, como mostram as 211 federações nacionais filiadas na Federação Internacional de Andebol (IHF), distribuídas pelos cinco continentes.
Em Portugal, os últimos anos confirmaram um crescimento notório da modalidade, que vive o melhor momento da sua história. E, hoje em dia, a prestação dos clubes portugueses nas provas europeias tem ampliado essa dimensão. Cada um no seu tempo, o ABC, o FC Porto e, mais recentemente, o Sporting CP têm contribuído de forma decisiva para a “espinha dorsal” das seleções nacionais.
O andebol está a crescer depressa, sobretudo nos anos de Europeu e de Mundial, mas mantém uma presença intermitente, tal como o futebol de praia, que aparece sobretudo em período de Mundial, o que é notável pelo prestígio destas competições um pouco por todo o mundo. Televisão, jornais e até nas casas de apostas, a ênfase dada às maiores competições de andebol, supera em muito as do futebol de salão, de praia e hóquei em patins.
Para quem acompanha estas modalidades, a diferença nota-se não só na quantidade de mercados, mas também nas promoções: ofertas como o bónus 888Starz costumam abranger um leque de modalidades bem mais largo do que o futebol, o que faz diferença precisamente para quem segue andebol ou futsal.
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E afinal, quem tem mais títulos?
Se é verdade que o futsal (por se aproximar mais do futebol, a nível organizativo e nas regras) e o andebol (por ser modalidade olímpica) têm, hoje em dia, maior expansão internacional, no sentido em que atravessam mais continentes, também é verdade que, no que toca a títulos, a hierarquia é outra. Em Campeonatos do Mundo, ela é esta: 16 títulos para o hóquei em patins, três para o futebol de praia (dois deles já sob a chancela da FIFA), um para o futsal masculino e nenhum, ainda, para o andebol. Vale a pena olhar para cada uma de perto.
Hóquei em patins: o domínio esmagador
É o palmarés que faz com que a modalidade continue a ser “assunto” obrigatório na afirmação do desporto português. São 16 títulos mundiais – só a Espanha tem mais – e 22 títulos europeus, um recorde absoluto que nenhuma outra seleção alguma vez ameaçou de perto. A esses somam-se mais de duas dezenas de troféus noutras competições internacionais de relevo. E não se trata de um museu: o 22.º título europeu chegou em setembro de 2025, em Paredes, com uma vitória por 4-1 sobre a França, nove anos depois do anterior.
Futebol de praia: o palmarés mais silencioso
Três títulos mundiais, e nenhum deles fácil de arrumar na mesma prateleira: o de 2001, ainda sob organização da Beach Soccer Worldwide; o de 2015, em casa, e o de 2019, no Paraguai. Portugal é, aliás, a única seleção do mundo a ter vencido títulos mundiais antes e depois de a FIFA ter assumido a modalidade. Ao lado disso estão 8 Euro Beach Soccer League (recordista), 7 Euro Beach Soccer Cup,7 Mundialitos e o ouro nos Jogos Europeus de 2019, depois do bronze de 2015.
O ciclo mais recente passou pelos quartos de final do Mundial de 2024, nos Emirados Árabes Unidos, e pelo terceiro lugar do Mundial de 2025, nas Seicheles, com um 3-2 ao Senegal no jogo do bronze, depois da derrota com o Brasil nas meias-finais. E, no meio de tudo isto, Madjer: o primeiro jogador do mundo a ultrapassar os mil golos internacionais na modalidade.
Futsal: a subida mais rápida
O futsal demorou bem mais a aparecer no mapa internacional, mas apareceu para ficar. Depois do 3.º lugar no Mundial de 2000, na Guatemala, logo na estreia entre a elite, seguiram-se várias prestações de relevo, como o 2.º lugar no Europeu de 2010, numa curva ascendente que chegou ao topo dos topos em 2021, com o título mundial na Lituânia, frente à Argentina – conquista que ficou entre os dois títulos europeus consecutivos, em 2018 (frente à Espanha) e 2022 (frente à Rússia).
A Finalíssima intercontinental de 2022, também frente à Espanha, assinou a coroa perfeita. O ciclo seguinte trouxe alguma travagem – eliminação nos oitavos de final do Mundial de 2024, no Usbequistão, e derrota na final do Europeu de 2026, por 5-3 com a Espanha, em Liubliana -, mas Portugal mantém-se no segundo lugar do ranking mundial da FIFA, atrás do Brasil. E no feminino, a prata na primeira edição do Mundial diz o resto.
Andebol: ainda sem títulos, mas com a maior progressão
Já o andebol não pode apresentar títulos desse gabarito, mas porque partiu muito mais atrás do que as principais potências da modalidade. Portugal acompanhou o crescimento do hóquei e do futsal praticamente desde o início da internacionalização de ambos; no andebol, a seleção só muito mais tarde começou a ombrear com os grandes.O ponto de viragem foi o 6.º lugar no Europeu de 2020, que abriu caminho à estreia olímpica em Tóquio, 9.º lugar, com a eliminação a chegar pela mão da seleção da casa. Seguiram-se o histórico 4.º lugar no Mundial de 2025 e o 5.º lugar no Europeu de 2026, melhores classificações de sempre em cada uma das provas. Nenhuma das outras três su















