
José Sales, Presidente da Direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Nazaré, apresentou ontem à noite a carta de demissão, após um protesto levado a cabo durante a tarde por quatro dezenas de bombeiros que depuseram os capacetes, no muro do quartel, numa ação de protesto em que exigem a demissão do presidente da direção da associação humanitária, que acusam de pressões e diferenciação entre operacionais.
De acordo com uma carta publicada nas redes sociais pelos bombeiros da Nazaré: “A nossa posição é clara e específica: perdemos a confiança no atual presidente da direção”, salientando que “durante demasiado tempo” tentaram “resolver internamente” a situação que levou “mais de 88% dos bombeiros a manifestarem a sua falta de confiança na atual liderança”.
A maioria dos bombeiros “está cansada, está magoada e sente que não está a ser ouvida”, pode ler-se na missiva em que denunciam “situações de diferenciação entre bombeiros, interferências em matérias que entendemos dever respeitar as estruturas e competências próprias do funcionamento operacional, pressões e conflitos internos que acabaram por colocar pessoas umas contra as outras, funcionários e bombeiros que se sentiram pressionados, atitudes e expressões que fizeram muitos sentir que questionar, discordar ou simplesmente não concordar poderia ter consequências, e a sensação, cada vez mais presente, de que determinadas vontades pessoais se sobrepõem àquilo que é melhor para o funcionamento da instituição”.

Os bombeiros exemplificam com problemas como, na sequência de um acidente e de uma avaria numa ambulância, ter-se “chegado ao ponto de os bombeiros da Nazaré terem de recorrer ao empréstimo de uma ambulância de outra corporação para conseguirem continuar a garantir o socorro à população”.
“É precisamente por acreditarmos no nosso Comandante que não podemos aceitar que a sua vontade de trabalhar, as suas necessidades operacionais e aquilo que entende ser melhor para o funcionamento do Corpo de Bombeiros sejam constantemente colocados em segundo plano perante as vontades do presidente da Direção”, acrescenta o texto, em que os operacionais exigem respeito pelas funções e competências dos diferentes órgãos.
Também a bombeira Catarina Filipe usou as redes sociais para demonstrar o seu descontemento com a presidência de José Sales: “Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e este é um desses momentos. Somos Bombeiros da Nazaré, homens e mulheres que diariamente colocam a nossa vida, o nosso tempo e as nossas famílias ao serviço dos outros. Quando a sirene toca, não perguntamos quem precisa de nós. Vamos. Quando existe um acidente, um incêndio, uma emergência médica ou qualquer outra situação de perigo, não levamos connosco diferenças pessoais. Levamos a farda. Levamos a nossa missão. E é precisamente porque amamos esta farda, esta corporação e esta instituição que sentimos que chegou o momento de falar. Não estamos contra os Bombeiros da Nazaré. Estamos a lutar pelos Bombeiros da Nazaré”, frisou, realçando ainda que “o nosso problema não é com os restantes membros da Direção. Não queremos transformar esta situação num ataque coletivo, nem colocar no mesmo lugar pessoas que não são o alvo da nossa contestação. A nossa posição é clara e específica: perdemos a confiança no atual Presidente da Direção”.
Catarina Filipe frisa ainda: “Entendemos que o nosso Comandante deve ser respeitado nas suas funções e competências. E queremos deixar isto muito claro: estamos com o nosso Comandante. Não estamos apenas a cem por cento. Estamos a mil por cento. Estamos com o Comandante que estiver ao serviço da corporação e que tenha como objetivo cumprir a missão dos Bombeiros da Nazaré. Acreditamos na estrutura de comando, acreditamos nas competências de quem tem a responsabilidade operacional e acreditamos em quem diariamente tem de tomar decisões perante situações que não podem esperar. É precisamente por acreditarmos no nosso Comandante que não podemos aceitar que a sua vontade de trabalhar, as suas necessidades operacionais e aquilo que entende ser melhor para o funcionamento do Corpo de Bombeiros sejam constantemente colocados em segundo plano perante as vontades do Presidente da Direção”, concluiu.
















