
No âmbito da comemoração do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, o Serviço Integrado de Cuidados Paliativos (SICP) da Unidade Local de Saúde do Oeste aproveita para assinalar o seu primeiro ano de atividade, marcado pelo reforço da proximidade, continuidade e integração dos cuidados às pessoas com doença grave, avançada, progressiva e/ou limitante da vida e às suas famílias.
Os Cuidados Paliativos são cuidados ativos, globais e integrados, centrados na pessoa e na família, que visam melhorar a qualidade de vida, prevenindo e aliviando o sofrimento através da identificação precoce, avaliação e intervenção nas necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Não se destinam apenas aos últimos dias de vida, nem exclusivamente a pessoas com doença oncológica. O acesso deve ser determinado pelas necessidades paliativas da pessoa e da família, e não apenas pelo diagnóstico ou prognóstico.
O envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas tornam esta resposta cada vez mais necessária. Na região Oeste, estimativas utilizadas no planeamento do SICP apontavam para cerca de 3.376 pessoas com necessidades paliativas sem resposta adequada, evidenciando a importância de reforçar a acessibilidade e aproximar estes cuidados da população.
Na ULS do Oeste, o SICP articula as respostas especializadas de Cuidados Paliativos hospitalares e comunitários, através da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos (EIHSCP) e da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP Oeste), em articulação com a resposta de Cuidados Paliativos Pediátricos. Esta organização procura assegurar uma resposta integrada entre o hospital e a comunidade, promovendo a continuidade dos cuidados e uma intervenção adequada às necessidades, valores e preferências de cada pessoa.
Os primeiros resultados traduzem a dimensão desta resposta. Em 2026, o SICP contabiliza 1.706 consultas médicas de Medicina Paliativa e 2.372 consultas internas, na sequência de 528 pedidos de consultadoria provenientes dos serviços de internamento e urgência, além de 29 conferências familiares.
Também a resposta especializada no domicílio constituiu um marco importante. A ECSCP acompanhou 99 pessoas e respetivas famílias, realizando 358 visitas domiciliárias de enfermagem, 381 visitas médicas e 2.003 intervenções não presenciais. A procura crescente desta resposta reforça a importância do previsto alargamento da capacidade de acompanhamento domiciliário.
Em Cuidados Paliativos, o cuidado estende-se à família e a quem cuida. Os familiares e cuidadores assumem frequentemente um papel fundamental e necessitam, também eles, de informação, capacitação e apoio ao longo do percurso da doença, incluindo no processo de luto.
Mais do que números, este primeiro ano representa pessoas e famílias que encontraram uma resposta especializada mais próxima, seja no hospital, seja no seu próprio domicílio, junto daqueles que lhes são significativos.
O primeiro ano do SICP é, por isso, simultaneamente um marco e um ponto de partida. O desafio passa agora por consolidar esta resposta, aumentar a capacidade de acompanhamento, reforçar a articulação entre os diferentes níveis de cuidados e identificar mais precocemente as necessidades paliativas, permitindo uma intervenção atempada e integrada.
Porque Cuidados Paliativos não significam deixar de cuidar. Significam cuidar de outra forma: aliviar o sofrimento, preservar a dignidade, respeitar escolhas, apoiar a família e proporcionar a melhor qualidade de vida possível, durante o maior tempo possível.
Cuidar da vida é também cuidar da pessoa e de quem a acompanha.















