
O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) emitiu ontem, 28 de abril, um comunicado, onde diz “repor a verdade dos factos face às declarações recentemente veiculadas pela empresa NOBRE, segundo as quais estaria, desde julho de 2025, a cumprir integralmente as orientações da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)”, salientando que “esta afirmação é falsa”.
Em causa está o pagamento dos créditos sindicais, que a empresa tinha deixado de pagar em janeiro de 2025, a duas delegadas sindicais da Nobre Alimentação, em Rio Maior.
“Como resulta de documentação oficial na posse do SINTAB, em 28 de agosto de 2025, a própria empresa comunicou à ACT que não concordava com o entendimento da Autoridade e que, por isso, não procederia ao pagamento dos valores devidos às trabalhadoras. Posição confirmada pela ACT ao SINTAB em setembro de 2025”, informou o sindicato, que acrescenta: “Ou seja, ao mesmo tempo que agora procura construir uma narrativa de cumprimento exemplar, a NOBRE estava, na prática, a recusar cumprir uma determinação da autoridade competente, prolongando deliberadamente uma situação ilegal durante mais de um ano”.
O SINTAB diz ainda que “ao longo de todo este processo, os responsáveis da empresa não só mantiveram esta posição como a assumiram de forma reiterada em reuniões e contactos com o sindicato, chegando ao ponto de a invocar com arrogância, numa demonstração de total desprezo pelos direitos das trabalhadoras e pela própria legalidade”.
Para o SINTAB, “a tentativa de reescrever os factos perante a comunicação social não é apenas lamentável, mas reveladora de um padrão de atuação. Quando confrontada com a lei, a empresa opta por não cumprir. Quando confrontada com a opinião pública, opta por mentir”, salientando que “a reposição dos valores agora verificada não resulta de qualquer súbita conversão ao cumprimento, mas sim de 14 meses de resistência, denúncia e luta organizada das trabalhadoras e do SINTAB”.
O sindicato diz também que “se a empresa acredita que pode apagar este histórico com uma declaração conveniente, então não estamos apenas perante um problema de legalidade, mas também perante um problema de credibilidade”, reafirmando que “não deixará passar em branco qualquer tentativa de manipulação da verdade e continuará a denunciar, com firmeza, todas as práticas que atentem contra os direitos dos trabalhadores”.
Por fim, o SINTAB refere que “a verdade é simples: quem recusa cumprir a lei durante mais de um ano não pode agora posar de cumpridor. E quem mente sobre isso revela exatamente o tipo de gestão que pratica”, conclui.














