
Na sequência da interdição temporária da prática balnear na Praia da Nazaré, o Município da Nazaré emitiu um comunicado onde esclarece alguns factos relativos à situação ocorrida, nomeadamente perante informações e especulações que associaram o episódio agora verificado a situações ocorridas em 2025.
Assim, o município nazareno esclarece que “a situação agora detetada não tem qualquer relação com a da última época balnear, não existindo qualquer fundamento para estabelecer essa associação e reitera a absoluta confiança na intervenção realizada nos coletores da zona Norte da Praia”.
A Câmara explica que “a situação teve origem numa colheita de água realizada no dia 18 de agosto de 2026, pelo Laboratório de Referência do Ambiente da Agência Portuguesa do Ambiente. Nessa análise foi registado um valor de 7.683 NMP/100 ml de Escherichia coli, face a um valor-limite de 1.000 NMP/100 ml. Um valor nunca antes registado nas análises efetuadas no concelho. Em simultâneo, o resultado relativo aos enterococos intestinais foi de 270 NMP/100 ml, abaixo do respetivo valor-limite de 300 NMP/100 ml”.
A autarquia sublinha que “os resultados desta análise, realizada no dia 18, apenas foram disponibilizados ao Município no dia 20 de agosto, tendo sido decretada a interdição da prática balnear ao fim do dia. Até à comunicação do dia 20, todos os resultados das análises regulares que o Município tinha em sua posse apresentavam valores muito inferiores aos limites aplicáveis. Nas análises realizadas no dia 14 de agosto, por exemplo, os valores de E. coli foram de 110, 45 e 76 NMP/100 ml nos três pontos monitorizados”, salientando que “quando tomou conhecimento da decisão das autoridades, o Município atuou em estrito cumprimento das determinações das autoridades de saúde, colaborando na implementação de todas as medidas de proteção da saúde pública, designadamente a interdição temporária da prática balnear e o arriamento da Bandeira Azul. A interdição foi determinada pelo Delegado de Saúde Regional na sequência do resultado analítico”.
O Município considera igualmente importante reiterar que “não foi identificada qualquer descarga para o mar, nem qualquer alteração visual ou de odor que permitisse sinalizar uma eventual ocorrência dessa natureza. Também não foi reportada qualquer anomalia no sistema associado à obra efetuada de bloqueio da conduta de saída de águas pluviais. Os elementos técnicos disponíveis confirmam, assim, que não se pode estabelecer qualquer relação entre o resultado analítico e uma eventual descarga através desse sistema”.
Explicando que “perante o resultado excecional registado no dia 18 de agosto (que não encontrava correspondência no histórico recente de monitorização) foi realizada uma nova colheita no dia 20 de agosto pelas autoridades, precisamente para permitir uma avaliação complementar da situação. Os resultados dessa contra-análise no dia 21 de agosto apresentaram 63 NMP/100 ml de Escherichia coli e 86 NMP/100 ml de enterococos intestinais, ambos muito abaixo dos respetivos valores-limite. O relatório conclui expressamente: Água Própria para Banhos”.
A autarquia exclarece também que “a diferença entre a data da colheita e a disponibilização dos resultados decorreu exclusivamente dos diferentes métodos analíticos utilizados e dos respetivos tempos de processamento laboratorial, não correspondendo a qualquer atraso na realização das análises. A análise da amostra recolhida em 18 de agosto foi realizada através de métodos normalizados, com um tempo de processamento de cerca de 48 horas, pelo que os resultados apenas foram disponibilizados ao Município em 20 de agosto. Na sequência desses resultados, foi efetuada uma nova colheita no dia 20 de agosto, tendo a contra-análise recorrido a metodologias distintas, que permitiram obter os resultados em aproximadamente 24 horas. Assim, o intervalo entre a colheita e a comunicação dos resultados da primeira análise resultou do próprio procedimento laboratorial, e não de qualquer atraso por parte das entidades envolvidas. De resto, a evolução dos resultados, de 7.683 para 63 NMP/100 ml de E. coli em apenas dois dias, sustenta a convicção do Município de que aquele resultado não refletia a qualidade efetiva da água balnear. Deve notar-se que o resultado da colheita de dia 18 é 121 vezes superior ao registado na colheita de 20 de agosto”.
O Município da Nazaré reafirma que “a sua prioridade foi, em todos os momentos, a proteção da saúde pública. Perante um resultado analítico que ultrapassava significativamente o valor-limite, não poderia ter adotado outra postura que não fosse a de cumprir imediatamente as orientações das autoridades competentes, ainda que não existissem no terreno quaisquer sinais visíveis ou odoríficos de poluição”, frisando que “como se percebe pela análise dos factos, a atuação do Município foi pautada pela precaução, transparência e articulação com as autoridades de saúde e ambientais, tendo sido mantida uma vigilância permanente da situação até serem conhecidos os resultados que permitiram o levantamento da interdição”.
Por fim, o Município da Nazaré lamenta “os constrangimentos causados a residentes, visitantes, concessionários e operadores económicos, mas considera que a decisão de interditar temporariamente a prática balnear foi a única decisão responsável perante os dados disponíveis naquele momento”, informando que “a Praia da Nazaré encontra-se novamente aberta a banhos”.
O esclarecimento termina fazendo referência que “o Município da Nazaré e as entidades competentes reforçam o compromisso com a garantia da segurança e da saúde de todos os que usufruem da Praia da Nazaré e, nessa medida, pretende-se que, além dos mecanismos já utilizados, se venham a aplicar novas metodologias de salvaguarda e monitorização regular da qualidade da água balnear”.














