
Faz precisamente hoje, 25 de outubro, um ano, que Ricardo Silva tomou posse como Presidente da Freguesia de São João da Ribeira e Ribeira de São João, após vencer esta Junta do concelho de Rio Maior nas eleições autárquicas de 12 de outubro, sucedendo a Leandro Jorge que completou três mandatos à frente dos destinos da freguesia.
Dos 1143 eleitores inscritos na freguesia, votaram 713 nas últimas autárquicas, tendo 468 votado no canditado Ricardo Silva da Coligação Juntos Pelo Futuro (PSD/CDS-PP), o que lhe deu uma vitória com 65,64% dos votos.
O Comércio & Notícias esteve à conversa com o Presidente Ricardo Silva, o Secretário Tiago Pedro, e a Tesoureira Carla Correia, para que fizessem um balanço deste primeiro ano de governação.
CN – Ricardo, que balanço faz deste primeiro ano à frente da freguesia?
RS – Muito difícil. São estas as palavras que me ocorrem assim, de repente. Foi, de facto, um ano muito difícil. Apesar de já ter quatro anos de experiência como secretário da Junta de Freguesia, o que aconteceu nestes últimos 12 meses não é normal.
Começámos o mandato com a forma de trabalhar que nos caracteriza, com trabalho e proximidade. Nos primeiros dois meses, para além do trabalho habitual da freguesia manutenção do vasto património que temos, limpeza das vias públicas e dos caminhos rurais, entre muitas outras tarefas, conseguimos inaugurar uma sala de formação com todas as condições e criar mais um apoio social, o Cartão Sénior da Freguesia, de que já beneficiam cerca de 100 fregueses.
Depois veio a parte difícil. Um verdadeiro comboio de tempestades afetou o país, e a nossa freguesia não foi exceção. Foram três semanas muito complicadas, com inúmeras ocorrências. Tivemos a ajuda de cerca de 20 voluntários que foram, sem dúvida, uma enorme mais-valia. Tive oportunidade de reconhecer publicamente o seu trabalho em Assembleia de Freguesia e não esquecerei nenhum deles. Foram tempos de grande aflição, em que a entreajuda e a solidariedade fizeram toda a diferença.
Passados cerca de três ou quatro meses, tivemos simplesmente o pior incêndio de que há registo na freguesia. Foi uma aflição enorme, que colocou em perigo pessoas, animais, casas e automóveis. Tivemos cerca de 250 bombeiros e sete meios aéreos no combate ao incêndio. Depois, durante mais uma semana, percorremos a freguesia para acompanhar o rescaldo, com máquinas no terreno e vários reacendimentos a exigir a nossa atenção.
Ver amigos, pessoas da freguesia e pessoas que conhecemos a sofrer com uma aflição daquela dimensão é, sem dúvida, uma das piores sensações que podemos ter.
Tivemos também vários acidentes de viação na freguesia, em particular um que envolveu três crianças. Foi horrível. Chegou-se a temer o pior e, nestes momentos, o coração aperta.
Depois, há os casos sociais. São situações complicadas e temos alguns casos particularmente difíceis, alguns deles até violentos. Temos trabalhado com muita proximidade nestas situações e também sofremos com elas, porque lidamos diariamente com pessoas e famílias que estão a atravessar momentos muito difíceis. Felizmente, já conseguimos resolver alguns desses casos. Costumo dizer aos meus colegas, à Carla e ao Tiago, que qualquer caso social que consigamos resolver vale tanto ou muito mais do que qualquer obra que possamos fazer na freguesia.
Por isso, apesar de ter sido um ano muito difícil, faço um balanço muito positivo do trabalho desenvolvido pelo Executivo da Junta de Freguesia. Foi um ano exigente, com momentos muito duros, mas também um ano em que estivemos presentes, trabalhámos e, acima de tudo, procurámos estar ao lado das pessoas da nossa freguesia quando mais precisaram de nós.
CN – Em termos de obras e conquistas, o que é que o Executivo conseguiu concretizar neste primeiro ano?
RS – Bem, considero que foi um ano bastante positivo. Conseguimos concretizar várias obras e iniciativas importantes para a nossa freguesia. Desde logo, demos continuidade à melhoria do Centro Cívico de São João da Ribeira, com a criação de uma nova sala de formação e a instalação de um novo lettering no salão principal, valorizando e dignificando ainda mais aquele espaço.
Avançámos também com obras de requalificação nos dois cemitérios da freguesia, bem como com o alcatroamento do adro da igreja, em Vale Barco.
Na área social, implementámos o Cartão Sénior e desenvolvemos e apoiámos o projeto de Teatro Comunitário. Conseguimos ainda trazer à freguesia um espetáculo de stand-up comedy, com humoristas de reconhecido nome nacional, proporcionando um momento de cultura e entretenimento à nossa população.
Temos procurado igualmente manter uma relação próxima com as associações da freguesia, apoiando as suas atividades e projetos, porque entendemos que desempenham um papel fundamental na dinamização da nossa comunidade.
Depois de várias diligências, conseguimos também trazer para a freguesia uma brigada da AFOCELCA, o que consideramos uma mais-valia importante, sobretudo para reforçar a prevenção e a resposta aos incêndios rurais.
Outro projeto que muito nos orgulha é o apoio aos jovens que participaram nos Orçamentos Participativos Jovens (2025 e 2026) e cujos os projetos foram os vencedores. Falamos da criação de dois campos de multijogos, destinado à prática de futebol de cinco, andebol, basquetebol e voleibol, que será uma realidade na nossa freguesia, em dois locais, um em S João da Ribeira e outro na Ribeira de S. João. Obrigado aos jovens que com todo o seu empenho se propuseram a ajudar a Freguesia.
Recentemente, conseguimos ainda, através de um contrato de comodato, a cedência de um terreno importante na Ribeira de São João. Temos pensado para aquele espaço um projeto que acreditamos poder valorizar bastante aquela zona e que esperamos apresentar e concretizar no futuro.
Também criámos um pequeno parque de convívio junto à Nossa Senhora das Virtudes, na Escusa, proporcionando mais um espaço de lazer e convívio à população.
Mas, na minha opinião, as duas principais conquistas deste primeiro ano foram, sem dúvida, a requalificação do Parque Leovegildo Pestana e o reforço dos recursos humanos da Junta de Freguesia.
A requalificação do Parque Leovegildo Pestana foi uma obra muito importante, um investimento avultado mas necessário . A Câmara Municipal de Rio Maior teve aqui um papel fundamental, pelo que aproveito para deixar o nosso agradecimento pela colaboração e pelo apoio.
Por outro lado, a entrada de um novo colaborador para os quadros da Junta de Freguesia foi igualmente muito importante. A nossa freguesia tem uma área e uma dimensão consideráveis, com muitas necessidades no dia a dia, e este reforço dos recursos humanos vai fazer toda a diferença na nossa capacidade de resposta.
Foi, por isso, um primeiro ano de muito trabalho, com várias concretizações, mas sabemos que ainda há muito para fazer. Continuaremos a trabalhar para melhorar a qualidade de vida da população e valorizar cada vez mais a nossa freguesia.
CN – Das promessas que fez aos seus fregueses, há alguma que considere impossível de concretizar?
RS -Não. O nosso manifesto foi muito honesto e realista. É importante dizer que, relativamente a tudo aquilo a que nos comprometemos, já demos passos concretos.Por exemplo, não prometemos simplesmente construir uma creche ou um posto de combustível. Comprometemo-nos, sim, a fazer todas as diligências necessárias para avaliar e criar condições para a possibilidade de construção de uma creche na freguesia e de um posto de combustível junto à Estrada Nacional 114. Essas diligências já foram feitas. Agora, é continuar a trabalhar e a procurar soluções para que tudo possa avançar.
Temos, no entanto, de ter consciência de que nem tudo depende exclusivamente da Junta de Freguesia e de que alguns processos são naturalmente demorados. Há projetos que envolvem outras entidades, questões legais, decisões de terceiros e recursos que não controlamos diretamente.
Outro exemplo é a aquisição do terreno do mercado mensal. Continuamos a negociar e não desistimos desse objetivo. Mas temos também uma grande responsabilidade perante os nossos fregueses, não podemos comprometer as contas da Junta de Freguesia para os próximos 20 ou 30 anos. Na nossa perspetiva, isso seria uma decisão irresponsável. Queremos concretizar os compromissos que assumimos, mas queremos fazê-lo com responsabilidade, sem colocar em causa o futuro financeiro da freguesia.
Vamos continuar a trabalhar, a procurar soluções e a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que os projetos sejam concretizados. E, como se costuma dizer, é preciso trabalhar, persistir e procurar também a dita «sorte».
CN – Ricardo, como tem lidado com os membros da oposição?
RS – Muito bem. Os membros da oposição são boas pessoas que, tal como nós, querem o melhor para a nossa freguesia. São pessoas equilibradas e ponderadas, com quem temos conseguido manter uma boa relação institucional. Fora do âmbito político, somos amigos e conhecidos há muitos anos, e isso também contribui para que exista uma relação de respeito e cordialidade entre todos.
Podemos ter opiniões diferentes e formas diferentes de ver algumas situações, mas acredito que o objetivo de todos é o mesmo, trabalhar em prol da freguesia e das suas pessoas.
CN – Que avaliação faz do trabalho dos restantes membros do Executivo?
RS – A Carla e o Tiago são dois elementos fundamentais, daqueles que qualquer Junta de Freguesia gostaria de ter. São duas pessoas que estão sempre presentes no dia a dia da nossa freguesia e que demonstram uma enorme disponibilidade para ajudar. A Carla e o Tiago conhecem profundamente a freguesia e as suas pessoas, bem como a realidade e os desafios que enfrentamos diariamente. Temos trabalhado em conjunto e apoiamo-nos mutuamente, sobretudo porque já tivemos de ultrapassar algumas dificuldades ao longo deste primeiro ano.
Quero deixar aqui um agradecimento público à Carla e ao Tiago por toda a disponibilidade que têm demonstrado para com a freguesia. A confiança mútua, o espírito de equipa e a amizade têm sido pilares fundamentais do nosso trabalho. A avaliação, como é óbvio, só pode ser nota 100. Obrigado, Carla e Tiago!
CN – Que mensagem deixa à população depois deste primeiro ano?
RS – Quero deixar uma mensagem de tranquilidade, de continuidade do trabalho, de seriedade e, acima de tudo, de proximidade. Quero dizer-vos que, para este Executivo, o mais importante da nossa freguesia são as pessoas. Estamos disponíveis para vos ouvir e ajudar 24 horas por dia. Somos todos de fácil acesso e queremos continuar próximos de cada um de vós.
Peço-vos que, sempre que precisarem, não se escondam atrás de um teclado ou de um ecrã. Procurem-nos, falem connosco, apresentem-nos as vossas preocupações e sugestões. É através do diálogo e da proximidade que conseguimos encontrar soluções. A desinformação digital e os comentários tóxicos nas redes sociais são, na minha opinião, dos piores contributos que podemos dar à democracia e à vida da nossa freguesia. Podemos ter opiniões diferentes e discordar, mas devemos fazê-lo sempre com respeito e sentido de responsabilidade.
Peço-vos também alguma paciência quando um projeto se atrasa ou quando, por exemplo, a limpeza urbana não é feita como deveria. Sabemos que há sempre aspetos a melhorar e, quando algo não corre bem, procuraremos corrigir a situação logo que possível. Continuaremos a trabalhar com seriedade, dedicação e proximidade, sempre com o objetivo de melhorar a nossa freguesia e a qualidade de vida de todos.
Desejo-vos a todos um excelente resto de ano e que a nossa freguesia continue a prosperar e a ser um exemplo para outras freguesias do concelho e do país. Um grande bem-haja a todos e um forte abraço.
Seguidamente, ouvimos Tiago Pedro, Secretário da Junta de Freguesia de São João da Ribeira e Ribeira de São João.
CN – Tiago, quais foram as principais áreas de trabalho que ficaram sob a sua responsabilidade neste primeiro ano?
TP – Quero responder de forma concreta, não tenho uma área específica sob a minha responsabilidade. Eu, o Ricardo e a Carla trabalhamos em conjunto em tudo. Os três decidimos sempre o que é melhor para a freguesia e trabalhamos muito nesse sentido. As novas tecnologias ajudam-nos muito. Falamos todos os dias, através do telemóvel, por e-mail ou pessoalmente. Vou todos os dias à Junta de Freguesia, e a minha realidade diária é de proximidade com todos.
CN – Que contacto tem tido com a população e quais são as principais queixas e sugestões que lhe chegam?
TP – Felizmente, não temos recebido muitas queixas, mas temos recebido muitas sugestões e informações importantes que os fregueses nos fazem chegar. São situações do dia a dia, como um buraco numa estrada, uma valeta entupida, um sinal partido, entre outras.
Este tipo de contactos e sugestões é muito bem-vindo, porque nem sempre conseguimos estar em todo o lado. Agradecemos todos os contactos que nos chegam, porque fomos eleitos precisamente para isto, estar próximos das pessoas, ouvir os seus problemas e tentar resolvê-los.
CN – Que iniciativas foram desenvolvidas para os idosos da freguesia?
TP – A grande iniciativa foi, sem dúvida, a criação do Cartão Sénior da Freguesia, um cartão que permite obter descontos em vários estabelecimentos comerciais da freguesia e do concelho. Neste momento, temos cerca de 35 estabelecimentos parceiros e já cerca de 100 seniores a usufruir do cartão, o que nos deixa muito satisfeitos.
Temos também as atividades habituais, como o Almoço Sénior, no dia 6 de novembro, e o Passeio Sénior, duas iniciativas que contam também com a Câmara Municipal de Rio Maior como grande promotora.
CN – Que projeto gostaria particularmente de ver realizado durante este mandato?
TP – Boa pergunta. Não tenho apenas um projeto preferido; tenho dois ou três. Mas gostava muito de terminar este mandato com uma requalificação profunda da Esplanada de São João da Ribeira. É um espaço histórico para toda a freguesia e que precisa de uma intervenção importante. É necessário realizar obras de alvenaria, intervir no telhado e até reparar o pavimento, que acabou por ceder no último inverno. Estamos a falar de um projeto dispendioso, mas que considero muito necessário. Já temos o projeto feito e estamos agora a aguardar orçamentos.
CN – Como avalia o trabalho conjunto com o presidente Ricardo e a tesoureira Carla?
TP – Nós os três temos uma ótima relação e somos todos diferentes, o que acaba por ser uma mais-valia. Por exemplo, o Ricardo é muito dinâmico, está sempre com vontade de fazer acontecer, seja através de obras, seja através de iniciativas, e é também muito organizado.
Posso dizer também que pensa á frente do tempo, curioso e sempre a imaginar como as coisas podem ser melhores no futuro. É alguém que tem uma visão real da realidade, posso descrevê-lo como perspicaz, observador e atento aos detalhes. Ele repara no que muita gente ignora e fala disso de uma forma honesta. Tem uma visão nua e crua mas lúcida da realidade, alguém que vê para além das aparências e tenta entender as causas e consequências com muita humanidade.
A Carla é uma pessoa de coração gigante, de uma bondade rara e que toca profundamente quem tem o privilégio de a conhecer. É alguém que sente a dor dos outros como se fosse a sua e que encontra sempre uma palavra amiga. Tem valores verdadeiros e uma generosidade que não se mede em palavras, mas sim em atitudes.
A Carla, enquanto tesoureira, é a colega que faz as contas e que muitas vezes nos faz descer à terra. É ela que nos diz: «Tenham calma, temos de ter contenção com as contas.» Mas, no fim, lá nos vamos entendendo e conseguimos trabalhar muito bem em conjunto. Temos uma ótima relação e acho que essa união é importante para o trabalho que estamos a desenvolver pela freguesia.
Quero agradecer ao Ricardo e á Carla por este ano de trabalho lado a lado. A dedicação, o apoio e a entreajuda fizeram toda a diferença. Obrigado por tudo aos dois.
Por fim, o Comércio & Notícias ouviu também a tesoureira desta Junta de Freguesia, Carla Correia.
CN – Carla, como avalia financeiramente este primeiro ano de mandato ?
CC – Foi um ano financeiramente muito exigente. Um dos grandes problemas foram as tempestades, tivemos despesas que normalmente não teríamos, o que nos obrigou a retrair um pouco os investimentos. Ainda assim, com calma, conseguimos manter uma situação financeira estável.
CN – Como encontrou as contas da Junta de Freguesia quando iniciou este mandato?
CC – As contas da Junta de Freguesia estavam equilibradas, com saldos positivos para a gestão do dia a dia e sem dívidas. Importa realçar que já era eu a tesoureira da União de Freguesias.
CN – Há alguma despesa ou investimento deste primeiro ano que considere importante destacar?
CC – Sim. As despesas decorrentes das tempestades foram significativas e representaram a parcela de maior relevo do nosso orçamento. Em termos de investimento, destacaria as obras na Casa Social de Vale Barco, nos cemitérios da Ribeira de São João e de São João da Ribeira, a compra de um terreno e a intervenção no Parque de Convívio Leovegildo Pestana, cuja despesa foi, em parte, da nossa responsabilidade.
CN – Há diferenças nas necessidades e no tratamento entre São João da Ribeira e Ribeira de São João?
CC – É uma boa pergunta. Não podemos fazer uma comparação, são duas localidades diferentes, onde tentamos realizar investimentos de igual forma, mas, por vezes, isso é impossível devido às suas características. Queremos sempre fazer muito e bem, mas nem sempre é possível.
CN – Que garantia pode dar à população relativamente à sustentabilidade financeira da Junta de Freguesia até ao final do mandato?
CC – A situação financeira da Junta de Freguesia é estável e vamos continuar a manter as contas equilibradas até ao fim do mandato. Pensamos que os investimentos avultados que vamos fazer em alguns dos projetos previstos nos vão pôr à prova, mas foi para isso mesmo que fomos eleitos. Esperamos um futuro com muito trabalho, mas também com muito sucesso.















