
Mais de 300 crianças dos 0 aos 3 anos, de cinco creches da Golegã, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, participam no “Pequenos Chefes, Zero Desperdício”, um projeto que visa identificar onde, como e porquê ocorre desperdício alimentar nas creches e testar soluções adaptadas à realidade de cada instituição.
A iniciativa é promovida pela Fundação Mendes Gonçalves, através do programa Nutrir, em colaboração com o Kitanda Project, e terá uma duração aproximada de seis meses.
O projeto arrancou com uma primeira fase de observação e diagnóstico. Antes de propor mudanças, a equipa está a acompanhar as rotinas de cozinha e os momentos de refeição, a ouvir os profissionais e a analisar o percurso dos alimentos, desde a sua preparação até àquilo que acaba por ficar no prato.
“O primeiro passo para mudar é perceber. Não queremos levar às creches soluções pré-definidas, mas compreender o que acontece no dia a dia, ouvir quem prepara e acompanha as refeições e envolver também as próprias crianças. Só assim conseguimos desenvolver respostas que façam sentido para cada realidade e que tenham capacidade para perdurar e influenciar positivamente as famílias.”, afirma Vanessa Esteves, diretora do programa Nutrir da Fundação Mendes Gonçalves.
A partir deste diagnóstico, serão desenvolvidas e testadas soluções em conjunto com as equipas de cozinha, educativas e auxiliares, envolvendo igualmente as crianças e as famílias. Estão previstos momentos de capacitação, experimentação e atividades participativas, sendo depois acompanhada a evolução do desperdício alimentar ao longo da intervenção. Além de reduzir a quantidade de alimentos que não são consumidos, o projeto pretende trabalhar a relação das crianças e dos adultos com a alimentação desde os primeiros anos de vida. O momento da refeição é encarado como uma oportunidade para estimular a descoberta dos alimentos, promover uma maior participação das crianças e contribuir para ambientes alimentares mais saudáveis e sustentáveis.
“Reduzir o desperdício não começa apenas na cozinha. Começa também na forma como escolhemos, produzimos, compramos e apresentamos os alimentos, como envolvemos as crianças e como transformamos o momento da refeição numa experiência de descoberta e aprendizagem. Se conseguirmos construir estes hábitos desde a primeira infância, estamos também a contribuir para uma relação mais consciente com a alimentação no futuro”, acrescenta Vanessa Esteves.
Ao longo dos seis meses, as práticas implementadas serão monitorizadas para avaliar os resultados e identificar aprendizagens com potencial para serem aplicadas noutras creches e territórios e servirem de base para um conjunto de recomendações e materiais de apoio que a Fundação Mendes Gonçalves desenvolverá e promoverá após o projeto.
Os cinco estabelecimentos de ensino participantes integram a Rede de Primeira Infância, dinamizada pela Fundação Mendes Gonçalves, que reúne creches, jardins de infância, agrupamentos de escolas, municípios e profissionais, incluindo amas, para promover a partilha de experiências, identificar problemáticas e contribuir para a melhoria das políticas públicas locais dirigidas à infância.
Integrado no programa Nutrir, o “Pequenos Chefes, Zero Desperdício” reforça a aposta da Fundação Mendes Gonçalves na literacia alimentar desde a primeira infância e no desenvolvimento de soluções construídas com as comunidades, procurando transformar conhecimento e experimentação no terreno em modelos com potencial de advocacia e replicação.















