

Por João Maurício
Maçussa é uma povoação do concelho de Azambuja, hoje com pouca população já envelhecida. Terra agrícola onde a vinicultura tem alguma expressão.
Foi no Museu Municipal de Azambuja, espaço excelente, que fomos encontrar o anúncio das festas da terra, no distante ano de 1963.
Agradecemos aos técnicos que nos conduziram a visita e nos facultaram o acesso a este velho e gasto panfleto original, porque reproduz os festejos de um tempo já há muito ido. O conjunto musical, Irmãos Vicentes, tinha sede em Turquel (Alcobaça), e animava imensas festas, nos anos sessenta do século passado, por todo o Ribatejo e Oeste e por outras zonas do País, de norte a sul. O conjunto viria a transformar-se em Orquestra, sendo composto por excelentes músicos.
A chegada do Verão traz-me à memória esses tempos, quando se ouvia música portuguesa, simples, que ainda não se chamava “pimba”, e a estrangeira que estava na moda, como a italiana e a francesa.
Sempre, à meia-noite, os Irmãos Vicentes tocavam, sem falhas, a famosa Valsa da Meia-Noite.
Sabemos que a acelerada evolução dos tempos atira para o esquecimento tradições tão populares do nosso povo, como eram essas festas.
Os “Irmãos Vicentes” já cá não estão, mas recordo que atuaram várias vezes no concelho de Rio Maior, sempre com sucesso. Já não são novos os que tiveram o privilégio de os ouvir, num tempo em que a música não era eletrónica, mas mais artesanal e, talvez, mais pura e mais melódica para os nossos ouvidos. Os sons dos instrumentos subiam no ar e eram absorvidos pelo mundo rural com uma simplicidade comovedora.
Aquela música era um consolo para os velhotes que tinham os filhos na guerra e que, por isso, tinham o coração amargurado. Por muito que se diga que o tempo tudo apaga, às vezes não é bem assim.
Penso que, quem viveu aqueles tempos, sabe que, embora por algumas horas, a música dos Irmãos Vicentes era um aconchego para o espírito. Também um conjunto daqueles, nas aldeias pobres, era um orgulho para os seus modestos habitantes.
Aqueles artistas eram consequência natural da ambiência cultural da sua terra. Ontem como hoje, Turquel era e é terra de músicos: muitos e bons!















