
Por João Maurício
Abril No “Pré e Pós” Revolução Em Leiria é um novo livro sobre o final da ditadura e os tempos agitados do chamado PREC. Uma obra que foi difícil de encontrar, da autoria do jornalista Joaquim Santos e com prefácio de Acácio Lopes de Sousa, licenciado em História e Doutor em Ciência Política.
Nesta altura, devo transcrever as palavras de Edgar Clara (Sacerdote da Diocese de Lisboa) que no jornal “Nascer do Sol”, edição de 20 de junho passado, escreveu ”Todos os dias me sinto enganado ao escutar as notícias que me são dadas. Tenho fortes razões para desconfiar das informações que me são facultadas ou que me são ocultadas”.
Senhor padre, essas “falsas verdades” não aparecem, apenas, nas notícias corriqueiras do dia a dia, mas até em alguns livros de História que não são mais que “estórias”.
Mesmo na nobre profissão de jornalista surgem, infelizmente casos que são péssimos exemplos de falta de cultura geral.
Vamos de imediato ao que nos trouxe esta simples crónica. O livro referido está repleto de documentação relevante e até correspondência, até aqui, confidencial, o que o torna bem verdadeiro. O autor considera a região de Leiria uma área que se estende até Rio Maior, passando pela Batalha, Alcobaça e Porto de Mós.
Na página 85, é possível ler: “Rio Maior, agricultores de vários distritos erguem barricadas e bloqueiam a Estrada Nacional (EN1) na noite de 24 para 25 de Novembro, como forma de protesto e reivindicação pela revisão da Reforma Agrária e das Leis do Arrendamento Rural, na sequência de plenário convocado pela Comissão Provisória de Agricultores do Sul e Centro de Portugal”. O livro publica uma entrevista com João Baptista dos Santos (hoje com 84 anos), da qual transcrevemos uma pequena passagem:
– “Onde estava quando se deu o 25 de Abril?
– Em Rio Maior … A minha empresa estava a construir a escola do ciclo preparatório, com 80 trabalhadores à minha responsabilidade. Fizemos alguns bloqueios e a vivência de Abril foi sentida fora de portas de Leiria. Cortámos as estradas em torno de Rio Maior, deixando aberta apenas a estrada da Azinheira porque estávamos em permanentes conversações com o Capitão Salgueiro Maia. Este militar de Abril apoiava-nos! Tínhamos
receio que o Vasco Lourenço, Comandante da Região Militar de Lisboa, nos viesse atacar. Salgueiro Maia estava do nosso lado, deixando essa estrada aberta, porque, se fosse necessário, ele viria com as viaturas militares para nos defender e apoiar. No meu escritório de Rio Maior realizaram-se as reuniões e planeamento da acção, com a concordância do Salgueiro Maia!”.
Aqui fica mais este dado sobre o PREC em Rio Maior. Abril No “Pré e Pós” Revolução Em Leiria é, sem dúvida, uma obra interessante, porque contém muita documentação. Cabe ao leitor interpretá-la!
















