Não haverá muitas indústrias com o atual dinamismo dos casinos online. Com o advento dos smartphones, a melhoria substancial nas infraestruturas das redes de internet, a maior digitalização das sociedades e a constante evolução tecnológica, o setor tem registado um acentuado crescimento em Portugal e no mundo.
De acordo com projeções da Statista publicadas em 2024, o segmento iGaming irá ultrapassar os 130 mil milhões de dólares até ao final da década. Um número recorde que se explica não só pelo contexto acima descrito, como também pela integração e cooperação cada vez mais estreita de operadores, estúdios criativos, fornecedores de tecnologia, empresas de pagamentos e entidades reguladoras.
O que os utilizadores veem como uma plataforma de entretenimento é, na prática, um ecossistema tecnológico e operacional complexo, que envolve diferentes camadas de desenvolvimento, infraestruturas digitais e integração de serviços de terceiros. Grande parte das receitas do setor está associada aos jogos casino, cuja oferta tem vindo a crescer e a desenvolver-se significativamente nos últimos anos.
No entanto, e é importante referi-lo, este crescimento também tem sido acompanhado por preocupações regulatórias e no âmbito da proteção do consumidor, sobretudo relacionadas com os riscos financeiros e comportamentais associados ao jogo online.
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Onde está o valor
Slots, banca francesa, roleta, blackjack, bacará, bingo, crash games, póquer e outros são o core business dos operadores licenciados, que competem pelo maior número de jogadores e por uma maior quota de mercado através da diversificação dos conteúdos, da cada vez maior imersividade dos jogos, da experiência do utilizador e da integração de novas tecnologias.
É uma crença comum entre os jogadores, mas, ao contrário do que muitos possam pensar, os casinos online nem costumam desenvolver os seus próprios jogos. Na maior parte dos casos, porém, estabeleceu-se uma separação clara entre aquilo que é um operador, responsável pela gestão de uma plataforma, pela escolha dos catálogos que oferece e pela relação com os clientes, e os fornecedores especializados em software.
Empresas como a Evolution Gaming, a Pragmatic Play, a Playtech, a Games Global ou a NetEnt são quem cria e desenvolve milhares de títulos dos mais diversos jogos que são depois disponibilizados a diferentes operadores espalhados por dezenas de países. No fundo, os casinos procuram jogos para oferecer aos seus jogadores e os estúdios criativos procuram desenvolver os seus jogos para serem adquiridos pelos operadores.
É este modelo que está na origem deste crescimento do mercado de casino online. Em simultâneo, permite aos casinos oferecer catálogos diversificados sem terem de desenvolver internamente todos os produtos e libertando verbas para canalizar para outras vertentes da experiência de utilizador; e permite às empresas de software distribuir os seus jogos por vários mercados, aumentando a escala do negócio sem os custos de criar estruturas para tal.
A vantagem matemática continua a ser o principal motor
Tudo isto resulta, claro está, porque há um modelo matemático subjacente a este modelo de negócio. Os jogos digitais são concebidos com base no conceito de house edge, ou vantagem da casa. Esta margem, matematicamente garantida, possibilita ao operador, a longo prazo, reter uma percentagem das apostas realizadas. E é aí que entra a questão da escala e da quota de mercado.
Mas cada jogo tem as suas próprias características e os valores são diferentes de jogo para jogo. As slots, por exemplo, possuem taxas de retorno ao jogador (RTP) que tipicamente ultrapassam os 95%, 96%, com a percentagem a variar conforme o título. Os jogos de mesa como a banca francesa, o blackjack ou o bacará podem apresentar margens inferiores, dependendo da utilização de determinadas estratégias por parte dos jogadores.
É esta margem, aparentemente pequena, mas repetida milhares de vezes, que permite aos operadores gerar receitas de forma recorrente e robustecer o seu poder aquisitivo, de que podem depois dispor para fortalecer os seus catálogos de jogos.
Os dados e a personalização tornaram-se ativos estratégicos
Mas não é só uma questão de fazer crescer o número de jogos e de jogadores. As estratégias dos casinos online incluem também a gestão da atividade dos utilizadores, com vista à maximização da capacidade operacional das plataformas ao longo do seu ciclo de utilização. E para tal contam com dois dos mais eficientes instrumentos da atualidade: os dados e a capacidade de personalização.
À semelhança de outras áreas do entretenimento digital, os dados passaram a desempenhar um papel central na ação dos casinos. Os operadores utilizam sistemas cada vez mais avançados de recolha, tratamento e análise de dados para compreender melhor os hábitos dos utilizadores, identificar as suas preferências e adaptar os seus conteúdos e ofertas aos próprios jogadores.
A personalização da experiência de jogo tem vindo a ser utilizada nas plataformas digitais como forma de adaptar conteúdos e funcionalidades ao comportamento dos utilizadores.
Com recurso a tecnologias como a inteligência artificial e sistemas de machine learning, os operadores têm vindo a implementar recomendações automáticas, ofertas personalizadas e programas de fidelização adaptados ao perfil dos utilizadores. Estas práticas são também alvo de atenção no contexto da regulação do setor e da proteção do consumidor, nomeadamente no que respeita à utilização de sistemas algorítmicos para influenciar padrões de comportamento.















