
A revitalização dos centros históricos é hoje um desafio comum a muitas cidades, em Portugal e na Europa. Em Santarém, esse tema foi assumido como prioridade, com a apresentação, no Salão Imobiliário de Lisboa (SIL), do programa “Centro Vivo 2025–2035”, que marca uma nova fase de intervenção, centrada na concretização de projetos no terreno.
É um plano de investimento para os próximos anos, com uma dimensão significativa e impacto direto no Centro Histórico e na Ribeira, orientado para devolver vida a estes territórios e reforçar a sua atratividade para viver, trabalhar, investir e visitar.
O programa organiza-se em várias áreas de intervenção, como a economia e o comércio, a habitação e a reabilitação urbana, o espaço público e a mobilidade, o património e a identidade, bem como a ligação à Ribeira e ao rio Tejo, que funcionam em conjunto para melhorar o dia a dia no centro da cidade.
No centro desta estratégia estão projetos com capacidade de criar dinâmica e atrair pessoas. Entre eles destaca-se a requalificação da antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC), o projeto mais estruturante, que dará origem a um novo polo com serviços municipais, residências de estudantes, a sede do Instituto Politécnico de Santarém, o Palácio da Justiça, o Museu de Abril e dos Valores Universais, uma unidade hoteleira e espaços de lazer e desporto. As residências de estudantes já se encontram em obra.
Em articulação, o antigo Presídio Militar será reconvertido em unidade hoteleira, reforçando a atratividade turística e a economia local. O Mercado Municipal afirma-se como um espaço de dinamização económica e social, através de programação regular e utilização contínua.
Na área da habitação, o programa aposta na requalificação do edificado e na criação de condições para fixar população, destacando também o investimento privado já em curso. Estão previstas intervenções nas escolas de São Bento, Pereiro e São Salvador (para uma creche), melhorando as suas condições, bem como a aquisição de imóveis estratégicos para habitação e novos usos, incluindo residências de estudantes e habitação jovem.
O património e a cultura são também centrais. A requalificação do Teatro Rosa Damasceno dará origem à futura Casa das Artes e Cultura de Santarém. As intervenções em igrejas, como Marvila, Graça e Santa Iria, nas muralhas e encostas contribuem para preservar a identidade histórica e valorizar a imagem urbana do Centro Histórico.
No espaço público, estão previstas intervenções como os Passadiços do Tejo, a melhoria de percursos pedonais mais acessíveis, a requalificação de largos e o reforço das condições de acessibilidade, a criação de novas bolsas de estacionamento e o reforço da videovigilância, tornando o centro mais confortável e funcional. O Bairro Digital de Santarém complementa esta abordagem, apoiando o comércio local e a gestão urbana.
Na Ribeira de Santarém, o objetivo é voltar a ligar a cidade ao rio e valorizar este território como parte do dia a dia. Está prevista uma intervenção faseada na frente ribeirinha, com o desenvolvimento do Parque Natura Tejo, o campo de futebol, projetos de regeneração urbana e melhorias em Alfange, melhorias no espaço público, criando melhores condições de uso, lazer e permanência junto ao Tejo.
A ideia é trazer mais pessoas à Ribeira e integrá-la novamente na vida da cidade, incluindo também projetos com dimensão social e educativa, como a instalação da Scholas Occurrentes.
O Centro Vivo será desenvolvido por fases: há projetos já em curso, outros em preparação e outros que avançarão à medida que existam condições de financiamento. É um programa que vai sendo ajustado à realidade, às necessidades e aos desafios que vão surgindo.
O programa assenta numa combinação de fontes de financiamento, incluindo fundos comunitários, investimento municipal e investimento privado, garantindo uma execução faseada e ajustada às oportunidades que venham a surgir.
Na apresentação, o Presidente da Câmara Municipal sublinhou o compromisso assumido: “Hoje não venho apresentar um plano teórico. Venho apresentar um compromisso. Um programa de investimento e de execução para o Centro Histórico e a Ribeira de Santarém.” “Este é um programa para fazer.” “O que queremos é simples: voltar a ter um Centro Histórico vivido, com mais pessoas, mais atividade e mais uso no dia a dia.”
O programa será acompanhado no terreno pelo Gabinete do Centro Histórico, garantindo proximidade com moradores, comerciantes, investidores e instituições.
O Centro Vivo entra agora em consulta pública, entre 30 de abril e 30 de maio, convidando a comunidade a participar com contributos e sugestões.
Este é um ponto de partida para um trabalho exigente, que assume a revitalização do Centro Histórico e da Ribeira como uma das prioridades para o concelho. “Este é um compromisso do Município, mas é também um projeto que só faz sentido com o contributo de todos, de quem vive, de quem trabalha, de quem investe e de quem utiliza o Centro Histórico”.














