

Por Joaquim Nazaré Gomes
A Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior está a comemorar os 50 anos do 13 de julho, data crucial para a Democracia portuguesa e tão subvalorizada pelos livros de História. Para que se entenda, o 13 de Julho de 1975 está para Rio Maior como o 25 de Novembro está para Portugal.
Em pleno Verão Quente, e sob a égide de uma ditadura de Esquerda às ordens de Moscovo, o Partido Comunista dominava a seu bel-prazer do Algarve ao Ribatejo.
Sucediam-se assim as ocupações selvagens às herdades e a cintura Industrial de Lisboa
encontrava-se em greve permanente. Contudo, havia uma espinha cravada na garganta de Álvaro Cunhal: é que no Norte trabalhava-se!
Dada a conjuntura, o país estava completamente dividido em dois, o que não era incómodo para o Chefe do Partido Comunista que publicamente afirmava que as revoluções não se ganhavam com eleições.
Sob a ávida pretensão de ocupar terra alheia, começavam a avançar para Norte e o primeiro sinal é dado com a ocupação da maior herdade murada da Europa – a Torre Bela – situada a Norte do Tejo, mesmo às portas de Rio Maior.
Seguindo o rumo, marcaram para o dia 13 de Julho a ocupação do Grémio da Lavoura de Rio Maior, visando assim abrir caminho para o Oeste e Norte do País. Mas é aqui que a Esquerda radical sofre o primeiro revés. É que no dia marcado para a ocupação estavam mais de 400 agricultores à porta do Grémio, impedindo que esta se concretizasse!
Houve escaramuças, apreensão de espingardas e foram destruídas as sedes do Partido Comunista e da Frente Socialista.
Os dias que se seguiram foram decisivos para travar a onda revolucionária em curso. Com a comunicação social nacionalizada e ocupada pelo Partido Comunista desencadeou-se uma onda de insultos aos agricultores de Rio Maior.
Em retaliação, a população e os agricultores esperavam as carrinhas que transportavam osjornais para o Centro e Norte do País, de forma a inutilizá-los e impedir que seguissem o seu destino para Norte.
Esta situação manteve-se mais de uma semana, levando a população a exigir, através de várias manifestações, a intervenção das autoridades e a reposição da verdade.
Assim aconteceu com a vinda do Governador Civil de Santarém e das altas patentes das Forças Armadas. Dois dias depois, veio também a televisão como tinha sido exigido pela população. Apesar da hesitação inicial, acabaram por divulgar um comunicado aprovado pelo povo de Rio Maior, o que contribuiu para serenar os ânimos.
Entretanto, à Associação dos Agricultores de Rio Maior foram-se juntando agricultores de todos os pontos do País, constituído assim um secretariado nacional em Rio Maior. Este secretariado que reunia todas as semanas e promovia vários plenários a nivel nacional, revindicava o fim das ocupações selvagens e a revogação da Lei 406-A que as legitimava.
Tudo culminou numa manifestação nunca antes vista com milhares de agricultores de todo o país, onde se aprovaram os estatutos da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) na noite de 24 de Novembro, dando assim o mote para o 25 de Novembro de 1975.
















