

Por João Maurício
Em setembro de 1977, apresentei-me na Escola Secundária de Rio Maior, vindo de Alverca do Ribatejo. O tempo é veloz e, sem darmos por isso, qualquer dia fará meio século.
As escolas desse tempo eram diferentes das atuais. O estabelecimento de ensino riomaiorense era pequeno, funcionando, como muitos outros da altura, em condições precárias. O presidente da E.S. era o professor Silvino Sequeira. Estamos aqui, não para falar do seu percurso enquanto autarca ou deputado, mas apenas para o recordar como docente.
Um diretor de uma escola é um docente como qualquer outro professor, só que com mais responsabilidade.
A escola de Rio Maior apresentava condições difíceis, sem refeitório, em pavilhões pré-fabricados e com aulas de educação física ao ar livre. No meu longo e difícil caminho profissional, tive doze presidentes de conselhos diretivos, curiosamente na sua maioria, professoras.
O Dr. Silvino tinha caraterísticas próprias e encaixou muito bem naquela equipa. Éramos poucos, talvez una trinta, alguns dos quais já cá não estão. Outros encontro-os, às vezes, e os outros, pergunto-me: por onde andarão?
Criada em 1975, a Escola Secundária de Rio Maior fazia, ainda, o caminho de afirmação. Tinha, já, nos seus ombros, uma carga histórica herdada do pioneirismo da Escola Comercial Municipal, fundada pelo Dr. Augusto César da Silva Ferreira, em 1924.
Os professores, na sua maioria, eram provisórios e davam o melhor de si. Nesse ano letivo, de 1977/78, o número de alunos cresceu muito, fruto do trabalho de proximidade entre a comunidade e o diretor.
Foi nessa altura que o Dr. Silvino iniciou uma luta difícil para conseguir um edifício novo. Uma caminhada dura com avanços e recuos.
Enquanto deputado, o futuro autarca teve de percorrer os tortuosos corredores do poder até a realidade se concretizar. Já no início dos anos noventa do século passado, na visita que fez ao novo edifício, em jeito de desabafo, disse-me: “o que eu lutei para que esta escola fosse construída!”.
Agora que a E.S.R.M. é centenária, deixo este elogio, porque é merecido. Se calhar, alguns não irão compreender estas palavras. Uma coisa é certa: a História não se inventa. Acontece!
Este texto deveria ser completado por consultas aos arquivos, mas de facto, tal não aconteceu. Não foi minha intenção entrar nesses detalhes. O meu objetivo é outro. Recordar uma personalidade que marcou aquela escola. Cada um pode e deve ter as suas ideias políticas, mas é bom reconhecer os méritos dos que, sendo diferentes, são superiores. É uma questão de humildade democrática.
Entre os meus muitos defeitos, não estão nem a ingratidão nem a falta de memória.
Nota final – o ano letivo de 1977/78 foi para mim muito difícil, pois tinha a família próxima a centenas de quilómetros, repartida pelos concelhos de Castelo Branco e Montalegre. Um tempo em que a maioria das autoestradas era uma miragem, os telemóveis um sonho e a internet uma ficção.
Em setembro de 1978, fui transferido para a Escola Preparatória da Batalha, mas levei a escola riomaiorense no coração. O Dr. Silvino foi sempre muito solidário comigo e com os colegas. Por isso, a minha gratidão.
















