

Por João Maurício
Passaram alguns meses desde que deixámos aqui um alerta sobre o estado lamentável em que se encontrava a estrada Caldas – Rio Maior.
De súbito, sem anúncio conhecido, a via foi requalificada, ou seja, levou um tapete, embora de forma descontínua.
Seria pretensioso da nossa parte dizer que a realização desta obra tem a ver, minimamente, com essa modesta crónica. A verdade é que o Presidente de Junta da Freguesia de Vidais também veio a terreiro falar sobre o assunto.
Quando comecei a escrever na imprensa escrita, já lá vão tantos anos que lhe perdi a conta, havia empresas de comunicação que recebiam os jornais regionais, dos mais humildes aos mais importantes. Depois faziam recortes e enviavam-nos para os ministérios que tinham a ver com o assunto referido. Recordamos que vivíamos numa ditadura: autarcas e poder central não gostavam do que liam.
Aos seus autores eram colocados os “carimbos” de oposicionistas, o que muitas vezes não correspondia à verdade. Mas essas críticas eram tidas em conta. Agora há uma espécie de vazio mais ou menos percetível. Existem os chamados diretores de comunicação nos respetivos ministérios, mas a sua atividade passa, geralmente despercebida. Valorizam muito o que apregoam as televisões ou os grandes jornais. A pequena imprensa, nomeadamente os pequenos jornais online, é ignorada.
Esta é, também, uma forma de desvalorizar, embora de modo indireto, os pequenos concelhos.
A Estrada Nacional nº 114, que vai de Peniche à cidade alentejana de Évora, tem uma longa história. Foi ao longo dos tempos um fator de desenvolvimento económico. Era por aí que se escoava o peixe de Peniche para algumas zonas do Ribatejo. Era por aí que, no tempo da guerra colonial muitos militares oestinos se deslocavam para o quartel de Santarém ou para outros da região militar do sul.
É evidente que estradas como a nº 114 perderam importância com a construção das autoestradas e dos itinerários complementares, mas elas continuam a ser imprescindíveis para a ligação das povoações mais próximas.
O mais importante foi a requalificação desta. Faltam ainda as marcações na via e colocar os raides nas zonas mais perigosas.
Não sabemos se estas obras já estavam programadas, se foram feitas por pressão política ou por questões eleitorais. Neste caso, como em muitos outros, há falta de informação. Se a mesma tivesse existido, podiam ter-se evitado algumas críticas.
Diz-se que vivemos no mundo da informação. Se calhar não é bem assim. Há, sim, poluição informativa que leva, por vezes, `desinformação. Outras vezes, como é o caso, há falta da mesma.
Falar-se em “autoestradas” de informação, ou é um chavão ou destina-se, apenas, a minorias mais ou menos pretensiosas ou pseudoletradas.
Nota final – agora está na moda a “descoberta” da EN2 que liga Chaves a Faro. Cada estrada tem a sua história. Aqui há alguns anos, o jornalista, já falecido, Miguel Portas publicou um excelente texto sobre a EN1, referindo-se muito à nossa região. Também a EN nº114 tem histórias por contar, e muitas!














