
O proTEJO – Movimento pelo Tejo denunciou hoje, publicamente, o ressurgimento de um novo episódio de poluição no rio Tejo, com origem a montante da barragem de Belver, cuja proveniência fortemente suspeita são descargas de efluentes realizadas desde Vila Velha de Ródão, no Alto Tejo, até à Chamusca, na Lezíria do Tejo.
O movimento exige que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) atuem de forma imediata, urgente e transparente para identificar a origem da poluição, realizar análises completas à qualidade da água e responsabilizar os agentes poluidores.
Um padrão de poluição que persiste há uma década
A poluição está de volta ao rio Tejo. O padrão é o mesmo que o proTEJO documenta e denuncia há mais de uma década: espuma abundante e águas escuras, agora de amarelo em vez do castanho de outrora, desde Vila Velha de Ródão, no Alto Tejo, até à Chamusca, na Lezíria do Tejo
Em janeiro deste ano, o proTEJO já havia denunciado à IGAMAOT a ocorrência de poluição por espuma abundante entre a barragem do Fratel e a Barca da Amieira do Tejo, registada de forma regular entre 17 e 19 de janeiro, com captações de vídeo e testemunhos de cidadãos. Em maio de 2026, novas imagens captadas junto à barragem de Belver, a jusante de Vila Velha de Ródão, voltam a documentar a situação.
Esta situação não é nova. Desde pelo menos 2015, que o rio Tejo tem sido afetado de forma cíclica e recorrente por episódios de poluição intensa com origem no Alto Tejo. Em 2018, a própria APA confirmou oficialmente que as águas do Tejo apresentavam níveis de fibras de celulose cinco mil vezes acima dos valores recomendados, tendo o então presidente da APA, Nuno Lacasta, reconhecido publicamente que a empresa Celtejo era responsável por 90% das descargas desse tipo de indústria que chegavam ao rio naquela região, a montante de Abrantes e das albufeiras de Fratel e Belver. Em 2020, o proTEJO voltou a denunciar o ressurgimento da poluição. Em 2026, afigura-se que nada mudou.
O que exigimos: ação urgente, análises concretas e responsabilização
O proTEJO exige que a APA e a IGAMAOT adotem, de forma urgente e sem delongas, as seguintes medidas:
1. A realização imediata e regular de análises completas à qualidade da água do rio Tejo a montante e a jusante do Cais Fluvial de Vila Velha de Ródão, incluindo a pesquisa de fibras de celulose, cargas orgânicas, parâmetros bioquímicos e substâncias tóxicas, com divulgação pública e tempestiva dos resultados;
2. O destacamento imediato de equipas de fiscalização ao local – incluindo durante o período noturno, momento preferencial para descargas irregulares – com vista à deteção de efluentes industriais e/ou urbanos que não cumpram os parâmetros das respetivas licenças de rejeição;
3. A verificação rigorosa do cumprimento das licenças de rejeição de efluentes atribuídas a todas as empresas que descarregam efluentes ao longo do rio Tejo, desde Vila Velha de Ródão, no Alto Tejo, até à Chamusca, na Lezíria do Tejo, nomeadamente a aplicação efetiva dos três regimes de funcionamento das ETARs: período de estiagem, húmido e excecional;
4. A disponibilização em plataforma pública online dos dados registados pelos sensores automáticos da estação de monitorização instalada junto ao Cais Fluvial de Vila Velha de Ródão, com medição em tempo real de parâmetros essenciais para a avaliação da qualidade da água;
5. O agendamento urgente de uma reunião da Comissão de Acompanhamento sobre Poluição do Rio Tejo, com a participação do Ministério do Ambiente e da Energia, da APA, da IGAMAOT e dos representantes da sociedade civil, para prestar contas sobre as medidas em vigor e os resultados obtidos;
6. A responsabilização legal e administrativa dos agentes poluidores identificados, incluindo a revisão restritiva ou suspensão das licenças de rejeição de efluentes em caso de incumprimento comprovado, e a aplicação efetiva das contraordenações previstas na lei.
O Tejo não aguenta mais promessas vazias
O proTEJO recorda que a modernização do SNIRH para um sistema de informação em tempo real – o dito “SNIRH XXI” – foi prometida em 2019 e nunca concretizada. Portugal mantém ainda uma assimetria gritante face ao sistema espanhol SAIH, que já disponibiliza dados contínuos e de fácil leitura. Esta opacidade informativa favorece os poluidores e prejudica os cidadãos, os pescadores, os agricultores e todos quantos dependem das águas do Tejo.
Porém, a ausência de sistemas de monitorização não exime nenhuma entidade da sua responsabilidade. As autoridades competentes têm obrigação de agir. As empresas têm a obrigação de cumprir a lei. E a população tem o direito a um rio limpo e vivo.
O proTEJO mantém e apela a todos os cidadãos para que estejam atentos e vigilantes a descargas de efluentes que ocorram desde o Cais Fluvial de Vila Velha de Ródão até à Lezíria do Tejo.
Em caso de suspeita de descarga poluente, pede que:
• Realizem captação de imagem ou vídeo, com indicação do local, data e hora;
• Nos contactem através dos nossos canais com as imagens e um breve testemunho (protejo.movimento@gmail.com);
• Comuniquem o incidente ao SEPNA/GNR através do número 808 200 520, para que seja registada a ocorrência e realizadas análises no local.
















