
Por João Maurício
Acabou de aparecer nas livrarias a obra “As Invasões Francesas na região de Alcobaça. Memória histórica e social de tempos sofridos (1807-1811)”.
O autor é Leonel Fadigas. Lembro-me de ter sido meu colega no liceu. Fadigas foi professor na Faculdade de Arquitetura de Lisboa, deputado do PS na Assembleia da República (1981-1987). Foi condecorado pelo Rei de Espanha, em 2001. É autor de vários livros sobre arquitetura e outros de índole histórica.
A obra referida tem prefácio do Professor Carlos Guardado da Silva da Faculdade de Letras de Lisboa. Posicionando-se na zona de Alcobaça, o autor aprofunda o seu estudo até às Linhas de Torres Vedras. É nessa estrutura que aparecem muitas referências a Rio Maior. O grande protagonista deste importante trabalho é o povo que resistiu com coragem à violência francesa. No fundo, é o relato do quotidiano dos exércitos e do sofrimento das populações.
Dos vários capítulos, destaco: “A Tomada de Leiria aos franceses” e “O Assalto ao Forte da Nazaré”. Faço uma referência muito especial ao capítulo 10 “A Fuga para as Linhas de Torres Vedras”. Perseguido, o povo procurava abrigo na região de Lisboa. Na página 223, o professor diz-nos: “A escolha das Linhas de Torres Vedras como local de refúgio verificou-se sobretudo entre os moradores das terras com ligação direta a Rio Maior ou a Alcoentre”. Já na página 227, escreve que “No concelho de Rio Maior apenas há registo, na freguesia de Alcobertas, por informação constante no livro de registo de óbitos da freguesia do Juncal, do falecimento de 10 pessoas desta freguesia que ali (Alcobertas) se registaram”.
De facto, Rio Maior, assim como Alvorninha, funcionou como local de refúgio de pessoas vindas de lugares mais a norte, como é o caso do Juncal, no atual concelho de Porto de Mós. O mesmo aconteceu com Leiria, terra dizimada pelas tropas de Napoleão. Foram tempos terríveis.
O país levou quase um século a recuperar dos efeitos negativos das invasões napoleónicas.
Rio Maior foi uma região muito sofrida. O inimigo confiscou os bens desta pobre gente, roubou gado e mantimentos do seu dia a dia, como vinho, azeite e cereais. Foi uma devastação enorme. Muitos riomaiorenses procuraram esconderijos entre as matas e grutas da Serra dos Candeeiros ou fugiram para sul. Ainda há uns cinquenta anos, era possível ouvir os relatos dos nossos avós que reproduziam o que tinham ouvido dos seus antepassados.
Essas “histórias orais” foram-se perdendo por não terem sido registadas por escrito. Infelizmente!















