
A Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP emitiu um comunicado onde expressa “a sua mais profunda solidariedade aos trabalhadores das Carnes Nobre, em Rio Maior, que cumpriram mais um dia de greve em defesa da dignidade profissional e por melhores condições de vida e de trabalho”.
De acordo com a DORSA do PCP “esta greve ocorre num contexto de particular gravidade. Após sucessivos períodos de luta, a administração da empresa decidiu elevar o nível de confrontação e desrespeito por quem produz a riqueza”, salientando que “numa reunião solicitada na quinta-feira ao SINTAB, a administração teve o desplante de comunicar a intenção de retirar o princípio de diferenciação salarial face ao salário mínimo nacional que vigorava na empresa, na medida em que até agora existia o compromisso de manter os salários entre 5,00€ e 10,00€ acima deste. Com esta decisão, e aproveitando a atualização do SMN neste mês de Janeiro de 2026, a administração pretende empurrar a generalidade dos trabalhadores para o salário mínimo, promovendo um injusto e inaceitável nivelar por baixo”.
O PCP de Santarém diz que “os trabalhadores mantêm-se firmes nas reivindicações que motivaram as lutas anteriores, nomeadamente: O aumento real dos salários para todos os trabalhadores, rejeitando a política de baixos salários; A valorização das carreiras e categorias profissionais, que a empresa pretende agora extinguir na prática; A melhoria das condições de saúde e segurança no trabalho; A conciliação da atividade profissional com a vida pessoal e familiar, combatendo a desregulação dos horários (incluindo o regime de turnos que tanto penaliza o descanso e a vida familiar dos trabalhadores da região)”.
Para a DORSA do PCP “é inadmissível que uma empresa que apresenta resultados positivos e que domina uma fatia importante do mercado alimentar continue a olhar para os seus trabalhadores apenas como um custo, enquanto os preços dos bens essenciais continuam a fustigar o orçamento das famílias”.
Neste mesmo comunicado o PCP reafirma que “a valorização do trabalho e dos trabalhadores é uma condição emergente para o desenvolvimento do país. Aumento significativo de todos os salários e do salário mínimo nacional para 1050 euros, redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais para todos, combate à precariedade e o fim da caducidade da contratação coletiva, controlo de preços de bens essenciais para garantir o poder de compra, entre outros, são reivindicações e propostas pelas quais continuaremos a lutar”.
A finalizar, a DORSA do PCP “saúda os trabalhadores das Carnes Nobre pela sua coragem. O sucesso retumbante da Greve Geral de Dezembro passado demonstrou que, quando unidos, os trabalhadores têm a força necessária para enfrentar a ofensiva patronal e a política de direita que lhe dá cobertura”.
Por fim, o PCP apela “ao reforço da unidade e à persistência na luta. Rejeitamos categoricamente as alterações ao Código do Trabalho que visam apenas facilitar a exploração”, salientando que “a luta dos trabalhadores das Carnes Nobre é a luta de todos os trabalhadores do distrito de Santarém. Com confiança e determinação, é possível conquistar os direitos e a dignidade que o patronato insiste em negar”, conclui.















