
A Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) assinalou, na manhã do dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose, com a realização de uma sessão científica no Auditório do Hospital Distrital de Santarém (HDS), reunindo profissionais de saúde de diferentes áreas com interesse na patologia.
A iniciativa teve como principal objetivo reforçar a partilha de conhecimentos numa área que, apesar dos avanços, continua a representar um desafio relevante em saúde pública.
Na sessão de abertura a diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares, Teresa Rodrigues, destacou a importância de continuar a dar visibilidade a esta doença, sublinhando que “há cerca de 30 anos, a tuberculose era uma patologia quase inexistente, mas, ao longo do tempo e com as diferentes circunstâncias socioeconómicas, voltou a ganhar expressão”. A responsável alertou ainda para o facto de esta continuar a ser “uma doença grave, que ainda hoje mata”, reforçando a necessidade de um esforço conjunto, tendo afirmado ainda que “todos juntos temos de continuar a combater esta doença, tornando-a cada vez mais tratável e curável.”
Também Gustavo Coimbra dos Reis, diretor do Departamento de Medicina e do Serviço de Pneumologia da ULS Lezíria, sublinhou o trabalho desenvolvido pelas equipas envolvidas, deixando um agradecimento especial à coordenadora da Consulta Respiratória da Comunidade de Nível B, Cláudia Lares dos Santos, que, segundo referiu, “tem desenvolvido um trabalho notável no campo da tuberculose, apesar da exigência da principal área que coordena, a Pneumologia Oncológica.” Destacou igualmente o contributo de António Veiga, médico responsável pela atividade clínica da Consulta Respiratória da Comunidade, e das equipas de enfermagem, realçando o seu papel fundamental no acompanhamento dos doentes.
Por sua vez, Cláudia Lares dos Santos, enquadrou a importância da data: “Celebramos este dia para assinalar um momento marcante na história da tuberculose, nomeadamente a descoberta do agente causador da doença, a 24 de março de 1882.” A responsável recordou que a tuberculose “continua a ser uma doença frequente, mas curável, sobretudo quando existe uma boa organização dos cuidados”, alertando, contudo, para desafios atuais como “o surgimento de estirpes resistentes e a escassez de financiamento para investigação”.
Ao longo da sessão, foram abordadas as diferenças entre “Tuberculose doença versus tuberculose latente – da exposição à doença”, bem como os mecanismos de exposição, seguindo-se uma reflexão sobre as doenças de declaração obrigatória e a utilização da plataforma digital SINAVE. A vertente epidemiológica esteve também em destaque, com enfoque na identificação e encaminhamento de contactos próximos para rastreio.
A sessão incluiu ainda uma abordagem prática centrada na tuberculose pulmonar em contextos residenciais para pessoas idosas, evidenciando desafios clínicos e a análise de casos concretos. Foi igualmente apresentado o projeto “TeleTOD” – solução que permite a toma observada diretamente (TOD) da medicação em doentes com tuberculose pulmonar através de videochamada – destacando o papel da tecnologia no acompanhamento e controlo da doença. A reunião terminou com a partilha dos principais pontos-chave e conclusões, reforçando a importância de uma resposta articulada e multidisciplinar no combate à tuberculose.
















