
Por João Maurício
Quem como nós conhece bem o Hospital Distrital das Caldas da Rainha, sabe que, há muito tempo, a cidade termal precisa de uma nova e moderna unidade hospitalar. Uma palavra especial para os seus trabalhadores que vão dando o melhor de si.
Todo este processo já tem alguns anos. Começou em 2008, quando o poder político optou por não construir o novo aeroporto da Ota. O Governo anunciou, na altura, a construção de um novo Hospital no Oeste como uma compensação.
O processo, como é costume, foi andando devagar, devagarinho. Seria fastidioso deixar aqui referência aos avanços e recuos, os passos em frente, e outros para trás, os sonhos que nasceram e que foram desaparecendo. Entretanto, o setor privado na área da saúde, vai fazendo o seu papel e instalando-se nessa região do litoral.
Deixamos, aqui, os últimos e mais significativos dados:
2023 – Manuel Pizaro anuncia que o novo Hospital oestino seria construído no concelho do Bombarral.
2024 – A Assembleia da República recomenda ao Governo que avance com a construção de um hospital público, no Oeste, com 400 camas. Pede que se mantenham os hospitais das Caldas, Peniche e Torres Vedras, para a área dos cuidados de proximidade.
2025 – Luís Montenegro anuncia a suspensão do processo para avaliar a localização da futura unidade hospitalar.
2026 – O Primeiro Ministro anuncia que o novo hospital será feito através de uma parceria público-privada.
Não sou o único a pensar que noutros tempos, o oeste teve um “naipe” de autarcas de grande qualidade, ativos, dinâmicos, reivindicativos, de vários quadrantes políticos. Cito: Fernando Costa (Caldas da Rainha), Carlos Miguel (Torres Vedras) e Pereira Júnior (Óbidos-já falecido). Reconhecendo o voluntarismo dos atuais executivos municipais, direi que não são comparáveis aos antigos. Fica no ar a ideia, justa ou injusta, de que há pouca pressão sobre o poder político central.
Recordo, ao acaso, a luta enorme que Fernando Costa travou para a isenção das portagens na A8, entre Tornada e Bombarral. Por isso, foi vitorioso. Até há autarcas que já dizem que a nova unidade hospitalar só entrará em funcionamento no final da próxima década. Ou seja, trinta anos após o seu anúncio. Uma vida à espera! Alguns analistas menos otimistas remetem essa data para os anos quarenta deste século.
O processo não começou bem, porque parte do concelho de Alcobaça e o município nazareno “optaram” por continuarem dependentes do Hospital
Distrital de Santo André, em Leiria. Essa visão retirou “o poder reivindicativo” à região oeste.
Fernando Costa não é propriamente um intelectual, mas é um autarca “de mão cheia”. Disse, há tempos, que inicialmente a opção governativa era construir uma nova unidade hospitalar no Oeste Norte e outra no Oeste Sul, respetivamente, nas Caldas da Rainha e Torres Vedras. E disse mais: que a sua cidade tem um hospital há cinco séculos. Digo eu que quebrar essa “corrente histórica” é uma ferida que se abre na região oestina. Está mais do que visto, que “os gabinetes ministeriais não conhecem o “terreno”.
Terminamos com uma referência ao H.D.C.R. que ao longo dos tempos tem prestado enormes serviços numa vasta região, inclusive, no concelho de Rio Maior.
Por exemplo, na década de oitenta do século passado, eram feitos 1500 partos por ano. Isto com poucos recursos humanos. Gloriosos tempos!
Entretanto, tudo aponta que o Novo Hospital do Oeste, nos próximos anos, vai continuar a ser uma miragem.















