
Por João Maurício
A canção “Sou Forte” do grupo IA Tuga é um hino ao espírito positivo. Diz-nos “Das cinzas fiz estrada, do pranto fiz muralha, do nada fiz luar. E ninguém me vai parar”. É natural que as pessoas ligadas ao turismo digam que temos um clima magnífico. Estão a fazer o seu papel. A verdade é que não é bem assim. Têm sido inúmeras as calamidades, entre nós, nomeadamente nos séculos XX e XXI. A memória não é, de facto, o nosso forte.
Vejamos algumas datas que nos poderão recordar catástrofes de grande monta.
1941 – o ciclone de 15 de fevereiro fez mais de 100 mortos e 500 feridos.
1967 – as cheias na zona de Lisboa causaram mais de 700 mortos.
1979 – as inundações na região do Vale do Tejo e Santarém fizeram 2 mortos e 115 feridos e aconteceram 1187 evacuações.
1981 – na região de Lisboa, as cheias provocaram 30 mortos e 900 desalojados.
2025 – uma tempestade provocou 28 feridos e um morto. Só na região de Sintra desabaram 98 mil árvores. Infelizmente, a lista de desgraças ocorridas é muito maior. E podemos falar nas tempestades Ingrid, Leonardo, Kristin, Marta e muitas mais. Toda esta prosa tem a ver com um artigo de uma revista de 60 páginas, suplemento da edição de 26 de março de 2026, do jornal “Região de Leiria”. Esse excelente trabalho profundamente ilustrado tem por título “Dias de Tempestade – Da calamidade à reconstrução”, onde é feita uma análise profunda sobre a tempestade Kristin, que assolou recentemente o país, com insistência nos concelhos de Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Marinha Grande, Leiria, Pombal, Porto de Mós, Ourém, Pedrógão Grande, Nazaré.
O articulista refere que “Entre árvores arrancadas, casas destelhadas e infraestruturas devastadas, levantou-se uma comunidade que, apesar dos medos, incertezas e fragilidades, todos se juntaram para reconstruir e cuidarem de quem precisou”.
Afinal, a própria natureza é frágil. É como a vida humana, uma espécie de corda fina que, às vezes, quebra. A reconstrução está em andamento, embora lenta. Vai ser uma caminhada longa que levará anos. Mas o mais importante é que nada está parado. Só no concelho de Leiria, a tempestade dizimou oito milhões de árvores. E que dizer do património particular e nacional? Sobre este tema, no referido jornal, nessa edição de 26 de março, Joaquim Dâmaso, fotojornalista escreve “Chorei. E não tenho vergonha de o dizer”.
De facto, não é caso para menos. A verdade seja dita. O poema referido no início está mais que atual. A resiliência e a coragem dos “tugas” não deixa baixar os braços.
José Luís Sismeiro, Presidente da Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, em entrevista ao jornal Expresso, edição de abril de 2026, diz-nos que “a recuperação de todas as casas pode durar um ano e meio”. Já o Correio da Manhã, edição de 28 de março, refere na página 23 que “é necessário uma década para concluir a construção”.
Terminamos com as palavras de Pedro Pimpão, Presidente da Câmara Municipal de Pombal: “Foram momentos de grande angústia para todos. Aprendemos que há fenómenos extremos cuja dimensão ultrapassa qualquer planeamento”.















