
A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém / Câmara de Comércio e Indústria e o IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, com o apoio do Município de Ourém e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, reuniram na manhã de ontem, 20 de fevereiro, mais de 200 participantes no Teatro Municipal de Ourém, numa sessão dedicada às Medidas de Apoio às Empresas – Situação de Calamidade, na sequência dos impactos provocados pela tempestade Kristin.
Na abertura, o Presidente da Direção da NERSANT, Rui Serrano, sublinhou a vulnerabilidade do tecido empresarial da região. “A depressão Kristin foi um golpe profundo num território onde 85% das empresas são micro e pequenas, muitas delas familiares e essenciais à nossa coesão social e económica”, afirmou, alertando que os prejuízos vão muito além dos danos materiais.
O responsável associativo sublinhou que por trás dos números estão histórias e projetos de vida ameaçados. “Não vejo números: vejo décadas de trabalho em risco em poucos dias. Armazéns inundados, stocks perdidos, fábricas paradas por falta de energia ou acessos cortados; encomendas canceladas e prejuízos em cadeia que vão além dos danos materiais.”
Rui Serrano dirigiu ainda uma palavra especial às empresas mais afetadas. “As minhas primeiras palavras vão para as empresas de Ourém e de Ferreira do Zêzere, que estiveram na linha da frente dos impactos da depressão Kristin e que, ainda assim, estão hoje aqui a dar um sinal claro de confiança e de resiliência coletiva.”
Reafirmando que “ninguém enfrenta isto sozinho”, Rui Serrano garantiu que a NERSANT, em articulação com parceiros institucionais, continuará a assumir um papel ativo na resposta. “Estamos no terreno, ao lado das empresas, a prestar apoio técnico no acesso às medidas existentes, a ajudar a interpretar critérios e a enquadrar prejuízos. A NERSANT está totalmente disponível, pro bono, para preparar as candidaturas das nossas empresas aos instrumentos anunciados.”
Contudo, deixou um alerta claro quanto à natureza das medidas atualmente disponíveis. “Linhas de crédito de baixa intensidade, por si só, não chegam. Para muitas empresas com prejuízos profundos, contrair mais dívida, mesmo em condições favoráveis, é simplesmente inviável.”
Nesse sentido, defendeu a criação de instrumentos diferenciadores, nomeadamente apoios a fundo perdido para recuperação das capacidades produtivas, bem como a modulação das medidas às especificidades dos setores e territórios mais afetados. Apontou ainda a necessidade de reprogramação de investimentos em curso e aceleração de pagamentos de incentivos e reembolsos, num contexto em que muitos prazos se tornaram impossíveis de cumprir. “Sem medidas desta natureza, calibradas à realidade do Médio Tejo, arriscamo-nos a ver empresas tecnicamente viáveis sucumbirem apenas porque não tiveram tempo nem pulmão financeiro para se reerguer.”
A sessão contou também com a presença do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, que reforçou o compromisso do Governo com a recuperação do tecido empresarial. “O Estado está ao lado das empresas e está a trabalhar na melhor resposta às suas necessidades. É importante que as empresas recorram aos mecanismos existentes, que foram desenhados precisamente para dar resposta a situações como esta”, afirmou. O governante elogiou igualmente o modelo de proximidade adotado pela NERSANT no apoio às candidaturas. “O mecanismo criado pela NERSANT para apoiar as empresas na preparação e submissão de candidaturas é um exemplo de boa prática e de articulação eficaz entre entidades públicas e associativas.”
A sessão contou ainda com a presença de diversas entidades, designadamente José Pulido Valente, Presidente do IAPMEI, Luís Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, José Alho, Vice-Presidente da CCDRLVT, bem como Paulo Fernandes, da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, e Bruno Gomes, Vice-Presidente da CIM Médio Tejo e Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, reforçando a articulação institucional em torno da recuperação económica da região.
Durante a sessão, as entidades parceiras – IAPMEI, Banco Português de Fomento, Instituto da Segurança Social, IEFP e Autoridade Tributária e Aduaneira – apresentaram detalhadamente os instrumentos de apoio disponíveis, esclarecendo requisitos de acesso, prazos e procedimentos.
Com esta iniciativa, a NERSANT reafirma o seu compromisso de proximidade com as empresas, defendendo soluções ajustadas à realidade do território e promovendo o acesso efetivo aos mecanismos de recuperação económica disponíveis. Na próxima semana, mais concretamente no dia 24 de fevereiro, a NERSANT vai estar no Município de Ferreira do Zêzere para dar a conhecer os mecanismos de apoio às empresas deste concelho. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas em https://nersant.pt/agenda/?id=1491.
















