
Por João Maurício
Este texto completa o anterior sobre o Padre Manuel Luís. Nasceu em Turquel a 8 de Julho de 1926 e faleceu em Lisboa a 5 de Julho de 1981. Teve uma vida curta, mas muito rica.
Reforço a ideia que aqui deixei anteriormente: era senhor de uma enorme humildade, própria dos grandes homens. Desde muito cedo revelou uma aptidão nata para a música, não fosse ele filho de uma terra ligada à música.
Já sacerdote, frequentou o Pontifício Instituto de Música Sacra de Roma, entre 1951 e 1958, onde obteve uma considerável formação musical na área. Licenciou-se no Canto Gregoriano e Composição Musical Sacra. O Cardeal Cerejeira reconheceu-lhe o mérito e apostou na sua formação.
Aquele instituto, fundado em 1910 pelo Papa Pio X, é a maior e melhor escola de música sacra da cristandade. Aí, estudaram e estudam as figuras cimeiras, a nível mundial, deste tipo de música. O Padre Manuel Luís foi o impulsionador da música litúrgica em Portugal, após o Concílio Vaticano II. Deu-lhe o que lhe faltava: a modernidade, mantendo, no entanto, as suas raízes.
Mais do que certas, são as palavras do Cardeal Manuel Clemente: “o Padre Manuel Luís é um enorme compositor da música sacra”. Quando o sacerdote turquelense começou a compor, ainda a língua litúrgica era o Latim. Ele conseguiu dar o passo em frente, tornando os cânticos religiosos acessíveis a todos quantos participam nas homilias, sem deixarem de ser grandiosos.
Manuel Luís foi professor do Seminário dos Olivais e dirigiu o Coro Polifónico da Sé de Lisboa, onde foi pároco e, também, na paróquia das Mercês, em Lisboa. Foi, ainda, Presidente da Comissão Portuguesa de Música Sacra, a partir de 1965. Turquel homenageou-o recentemente, atribuindo-lhe o nome a uma rua.
De toda a sua vasta obra, destaco a partitura “Excelso Criador”, um dos mais belos hinos sobre a Páscoa. O ilustre sacerdote deixou-nos uma herança – crentes e não crentes – onde a cultura se mistura com a memória, e a identidade com o conhecimento.
Por isso, a sua figura resiste à poeira do tempo.
Deixo, aqui, o testemunho do Padre José da Costa Ferreira: “era um homem com uma grande sensibilidade inspirada pela f´é,que nele era grande. Encontrou na Palavra de Deus, campo largo para fazer música e, por isso, a fez e escreveu como meio de levar aos outros a possibilidade de a cantarem”.
A memória do Padre Manuel Luís vai permanecer como uma figura serena, humilde, profunda e, intelectualmente, superior. Contribuiu muito para a participação ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas.















