
Por João Maurício
Há terras abençoadas. Um dos exemplos é Leiria. José Lúcio da Silva pagou, por inteiro, a construção do cineteatro leiriense que ofereceu à autarquia.
Belo exemplo aconteceu, agora na vizinha Alcobaça, onde foi inaugurado recentemente, o Museu da Cerâmica. A grande e valiosa coleção foi doada ao município pelo historiador alcobacense Jorge Pereira Sampaio. São mais de duas mil peças que testemunham a evolução da cerâmica dessa região, desde 1875 até à atualidade.
Trata-se de um importante acervo com um valor monetário enorme que foi oferecido ao município. A coleção da família Pereira Sampaio tem peças únicas de várias fábricas, muitas delas já extintas, como a Olaria de Alcobaça, Vestal, Elias e Paiva, Raul da Bernarda, Mário Tanqueiro, entre outras.
Vivemos, hoje, numa sociedade demasiado materialista. Porisso, devemos valorizar atitudes destas que revelam sentimentos nobres.
A coleção foi iniciada em 1953, pelos pais do ofertante: Maria do Céu e Luís Pereira Sampaio, já desaparecidos. O acervo consta de obras de arte, pintura, ourivesaria, escultura, mobiliário, joalharia e têxteis.
A base desta majestosa coleção é a cerâmica, onde podemos encontrar peças da Real Fábrica do Juncal, da Fábrica do Rossio de Santa Clara e da Real Fábrica do Cavaquinho do Porto.
Estamos perante um valioso contributo para a preservação e valorização da memória relativa a esta temática. Um espólio de elevadíssimo interesse artístico, histórico e cultural.
A loja do novo museu vai ser gerida pela Associação de Defesa do Património de Alcobaça e aí será possível adquirir peças das fábricas de cerâmica da região que estão, ainda, em atividade e também livros sobre o tema.
Naquela diversidade de cores e desenhos, de épocas e estilos, peças únicas, de beleza rara, sentimos uma misteriosa vibração da vida, fruto do trabalho de artistas que vieram do povo. A criatividade e genuinidade misturam-se numa simbiose perfeita. Alcobaça ficou mais rica, depois desta valiosa oferta que é um importante apoio à dinamização do turismo local.
Parabéns a Jorge Pereira Sampaio por esta atitude tão nobre!
Nota final – Jorge Pereira Sampaio é autor da “Faiança Portuguesa- séculos XVIII e XIX”, umaobra que tem recebido grandes elogios dos especialistas na matéria, nomeadamente por parte do historiador Vítor Serrão.
Pereira Sampaio é, ainda, autor da primeira tese de doutoramento na área da História da Cerâmica Portuguesa
















