

Por João Maurício
A historiadora Irene Pimentel publicou em 2008, o livro “Biografia de um Inspector da P.I.D.E. – Fernando Gouveia e o Partido Comunista Português”. Só agora tive a oportunidade de ler este interessante texto.
Gouveia não era um Pide qualquer. Nem nenhum subalterno. De rosto fechado, era baixo, muito vaidoso, usava sempre chapéu e fato. O facto de ser filho ilegítimo marcou-o profundamente. Era, talvez, mais salazarista que o próprio Salazar, na verdadeira aceção ideológica do termo. era um homem temido pela máquina do P.C.P. A estrutura do sistema político considerava-o um grande investigador. Foi torturador nato e responsável pela prisão de centenas de comunistas.
O livro de Irene Pimentel tem por base os arquivos da P.I.D.E./D.G.S. e as memórias de Fernando Gouveia que era um homem com uma memória invulgar e considerado por todos como uma pessoa inteligente e manipuladora. Acreditava piamente nas virtualidades de Salazar, como é possível perceber pelos escritos que deixou redigidos na parte final da sua vida.
Restou-lhe um “pingo de dignidade”, não fugiu e entregou-se às Forças Armadas a 28 de abril de 1974. Esteve preso dois anos, mas nunca foi julgado.
Esteve ao serviço da polícia política durante 46 anos. A obra refere que a mãe de Gouveia era natural de Maiorga (Alcobaça) e faz referências a Rio Maior. Velho e doente, teve uma agonia longa e dolorosa. Morreu em 1990 com 87 anos.















