
Em causa está o rasto de destruição deixado no Concelho de Rio Maior pelas recentes intempéries
Filipe Santana Dias, Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, recebeu ontem, 16 de fevereiro, nos Paços do Concelho, um grupo de deputados da Assembleia da República eleitos pelo Distrito de Santarém, em representação da AD, do Chega e do PS.
O objetivo deste encontro foi dar a conhecer a extensão dos prejuízos provocados no concelho de Rio Maior pela Tempestade Kristin e pelas intempéries que se seguiram.
Sob a visualização de imagens e vídeos, o autarca riomaiorense fez um ponto de situação sobre a extensão dos prejuízos, com principal enfoque na zona desportiva de Rio Maior, estradas e caminhos municipais afetados, com destaque para a Vila da Marmeleira, que conta com três das quatro ligações à localidade danificadas, bem como várias ocorrências de deslizamentos de terras na zona de Fonte Longa. Nesta localidade da freguesia de Alcobertas, a instabilidade do terreno obrigou à evacuação preventiva de diversas habitações, que continuam a evidenciar sinais de degradação com o passar dos dias.

Filipe Santana Dias começou por pedir a todos os Deputados presentes que “sejam a nossa voz junto do poder central e que possam levar toda esta nossa preocupação”.
O autarca dividiu a sua intervenção em duas fases distintas: A fase Kristin e a fase pós-Kristin, “na Kristin tivemos muitos danos, mas desculpem a minha imodéstia preparámo-nos bem”, realçando que “entre as 03h45 e as 04h15 se registou o período crítico, e poucos minutos depois tínhamos na rua 80 agentes da proteção civil, entre Freguesias, Município, Bombeiros, e Cruz Vermelha, que trabalharam articuladamente”.
Santana Dias referiu que “as pessoas em Rio Maior acordaram com uma cidade parcialmente destruída, mas utilizável graças ao grande empenho de todos os envolvidos”, salientando que “os danos foram maiores no público do que no privado, ainda que tenham acontecido também alguns danos no privado não tivemos situações catastróficas”.
O Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior relatou ainda que “foi criado um balcão na Loja do Cidadão para atendimento exclusivo às pessoas que têm as suas reclamações a fazer, o qual continua ainda a trabalhar só para este tema”.
Seguidamente, Filipe Santana Dias falou do pós-Kristin, “tivemos muitos problemas, na sua esmagadora maioria devido a abatimentos de estradas que não são pontuais, são abatimentos em que uma cunha de terreno deslizou arrastando consigo bens públicos e privados”, destacando dois pontos nevrálgicos: Vila da Marmeleira e Fonte Longa. “Aquele que eu considero mais grave é o abatimento na Fonte Longa, porque coloca em causa 10 habitações, e que resultou em 17 desalojados e 11 deslocados”, disse o Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior.
O autarca informou ainda que “o local será visitado hoje por um técnico especialista em estabilidade de estruturas da Universidade de Aveiro que irá avaliar as casas das pessoas que estão desalojadas e deslocadas para podermos ter uma base científica de decisão de que habitações poderão ser habitadas já, aquelas que poderão ser habitadas depois de intervencionadas, ou aquelas que não possam vir a ser habitadas”.
Filipe Santana Dias falou ainda sobre um outro tema, que “no seu entender é bastante importante”, informando que “existe uma exploração de inertes na localidade de Azinheira, numa zona conhecida por Via-Vai onde se abriu uma enorme cratera num caminho municipal com cerca de 30 metros de fundo por 25 de perímetro”. O autarca revelou que “automaticamente foi posto em campo o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e algumas empresas privadas para nos darem informações acerca da estabilidade daqueles taludes”, referindo ainda que “esta exploração de inertes faz fronteira com uma estrada municipal de grande circulação”.

Prosseguindo a explicação, o Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior referiu que “aquilo que nós promovemos imediatamente a esta rutura foi uma reunião com a Direção Geral de Energia e Geologia que é quem licencia e fiscaliza este tipo de atividade mineira e com a Administração de Região Hidrográfica para podermos ser totalmente claros e trabalharmos todos para a mesma solução”, realçando que “imediatamente fechámos logo de forma cautelar a estrada municipal , porque não confiámos, e bem, na estabilidade do talude principal desta exploração”.
Filipe Santana Dias revelou também que “foi nos dito pela Direção-Geral de Energia e Geologia que o plano de exploração não estava a ser cumprido e aquilo que nós exigimos foi que fossem restabelecidas as distâncias de segurança ao caminho municipal e à estrada municipal exigindo medidas para que possamos voltar a ter os automobilistas a circular em segurança nestes locais”.
O autarca riomaiorense informou ainda que “foi comunicado à empresa a proibição da exploração mineira durante dez dias, sendo que estes mesmos dez dias foram dados à empresa para apresentar um plano para resolver esta questão”, realçando que “a autarquia está agora a aguardar o resultado destas medidas, e se não houver por parte da Direção-Geral de Energia e Geologia uma resolução imediata do problema iremos obviamente pressionar a Administração do Ambiente para termos esta questão resolvida”.
Após esta apresentação nos Paços do Concelho, a comitiva foi ao terreno para observar in loco os estragos provocados pelas recentes intempéries nas localidades de Fonte Longa e Vila da Marmeleira.
Para além dos Deputados eleitos pelo Distrito de Santarém, e do Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, esta visitou contou ainda com a presença dos Vereadores Lopes Candoso, Miguel Santos, Leonor Fragoso, Miguel Paulo e Ana Carla Ferreira.
















