
Por João Maurício
O jornal O Alcoa foi criado pela Paróquia de Alcobaça, em 27 de dezembro de 1945. Tem como área de influência os concelhos de Alcobaça e Nazaré, as freguesias limítrofes e as comunidades alcobacenses espalhadas pelo mundo, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos da América. Foi seu primeiro diretor, o Engenheiro João de Sousa Brito de boa memória. Nasceu num tempo em que o País se levantava após a penúria dos efeitos da Segunda Guerra Mundial.
A primeira edição – que é uma verdadeira relíquia – foi de, apenas, 300 exemplares, com 4 páginas e impressa na Tipografia O Almonda, em Torres Novas.
Saúdo o Professor e velho amigo Mário de Campos Vazão seu antigo diretor entre 1972 e 2011. Aquele abraço para um homem, hoje com 91 anos, que tanto deu ao jornal e que me facilitou a consulta dos arquivos daquele prestigiado periódico. Saúdo, também, a atual diretora, a jornalista Catarina Reis. Este periódico procura dar voz às ambições das populações, tem crónicas desportivas e tauromáticas de qualidade, em que o setor religioso tem o seu espaço em destaque.
Apesar da crise que envolve os jornais regionais, O Alcoa tem uma tiragem de 3 mil exemplares. Adélio Maranhão, figura ligada a Rio Maior, foi seu diretor em 1971. Maranhão desempenhou funções num período difícil, tendo resistido às incursões da censura e procurando manter uma linha editorial independente. Após o 25 de Abril, O Alcoa esteve na linha da frente da resistência aos excessos da revolução.
Foi sempre um jornal de inspiração cristã que muito contribuiu para o desenvolvimento da região de Alcobaça. Este periódico e o Badaladas de Torres Vedras, são os dois grandes resistentes da vasta imprensa que, noutros tempos, pertenciam ao Patriarcado de Lisboa.
Nesta hora, recordo o homem que esteve na origem do jornal, o Padre Manuel José Vitorino. Nascido em 1910, este ribatejano, senhor de uma grande humildade, foi pároco de Alcobaça, entre 1932 e 1962.
Estou ligado a este periódico desde os meus catorze anos e, por isso, é com alegria que vejo O Alcoa resistir a estes tempos difíceis para a imprensa escrita, embora o jornal tenha, também, uma edição on line.
Votos de longa vida!















