
Por João Maurício
“E vai a sra. Ministra mandar fechar três hospitais? E vai destruir a identidade de uma cidade, de um povo? Não pode! É preciso haver um hospital nas Caldas da Rainha. É preciso haver um hospital em Torres Vedras. Não se fecham hospitais. O hospital é para os caldenses aquilo que o castelo é para Guimarães”. Fernando Costa
Há os que estão sempre a gritar tentando convencer-nos de que têm sempre razão. São os mestres da manipulação. Existem os que têm discursos redondos, ou seja, politicamente corretos. E outros que, às vezes, levantam a voz para indicar o caminho correto.
Levantar a voz deve ser sinónimo de fazer-se ouvir, trazer para praça pública os assuntos que vão sendo esquecidos e que, por vezes, incomodam.
O presidente da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, Fernando Costa, fez-se ouvir, com o seu estilo original, durante o último Congresso do P.S.D.. Costa foi sempre assim: direto, objetivo, convicto das ideias que defende. Não é rotineiro no seu discurso. Podemos não concordar com o estilo, mas isso é outro assunto.
O autarca contestou a tentativa do projetado encerramento dos hospitais das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras e substituí-los por uma única unidade hospitalar no Oeste, projetada para o Bombarral.
Agora, ninguém sabe onde vai ficar. O tempo corre e a opção final continua adiada. Corremos o risco de termos outra obra de Santa Engrácia.
O monocórdico Manuel Pizarro parece ter sido o grande ideólogo da escolha referida anteriormente.
Fernando Costa referiu-se ao facto da chamada região oeste ter 430 mil habitantes, número que pode duplicar nos próximos 50 anos.
Infelizmente, conheço bem o Hospital das Caldas da Rainha. É urgente construir na cidade termal uma nova e moderna unidade hospitalar.
Ontem, já era tarde!
O autarca foi muito direto ao afirmar que o encerramento do hospital caldense seria o desaparecimento do legado deixado pela Rainha D. Leonor às Caldas da Rainha. Saudou a transformação do Instituto Politécnico de Leiria em Universidade. Referiu-se, ainda, à necessidade de investimentos na linha férrea do Oeste.
Fernando Costa foi muito ativo, deixando a sua marca no concelho caldense. O auge da sua obra foi a construção do Centro Cultural e de Congressos, onde a atividade cultural é muito intensa e atrai público de todo o Oeste e concelhos vizinhos.
Costa pertence a um “naipe” de grandes municipalistas de vários quadrantes políticos, quase todos retirados e outros que já não estão entre nós. Homens que deixaram marcas bem positivas nos respetivos concelhos.
Não sei bem porquê, mas quando ouvi o “discurso” de Fernando Costa, lembrei-me do primeiro presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha (na época designava-se por Comissão Administrativa).
O Dr. Manuel Perpétua era um ribatejano, progressista, intelectual, profundo, muito culto e ponderado. Foi meu professor de História durante três anos. Falava-nos do que era proibido, por exemplo, a guerra do Vietname. Nessa época, a Cultura Geral era importante. Partiu em 2011, mas recordo a sua imensa sabedoria e a visão futurista que tinha do mundo. Dirigiu a Câmara caldense num tempo muito difícil em que as reivindicações eram muitas e o dinheiro era pouco. Encontrei-o nessa altura e falou-me dessas lutas. Foi um homem que abriu os caminhos do futuro.
Fernando Costa e Manuel Perpétua são as duas faces da mesma moeda: dois estilos, dois tempos diferentes, que se completam. Ideologicamente opostos.
O Dr. Perpétua era um homem doutro tempo, um pensador, em certa medida solitário nas suas ideias. Fernando Costa é um homem de ação, muito popular.
Tenho respeito pelos dois, porque ambos têm um traço comum: eram genuínos nas suas diferenças.
A vida não é, não deve ser feita de uma só cor. Ela é muito mais bonita, quando tem tonalidades diferentes e estes dois homens foram e são uma espécie de um quadro colorido com vários tons.















