
Por João Maurício
“Não há registo na história contemporânea portuguesa a seguir ao 25 de Abril, de um movimento tão solidário de ajuda a um território”. Foram estas as palavras de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, após a tempestade, ao Jornal “Região de Leiria”, na edição de 19 de fevereiro.
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa disse, uma vez, que o povo português era o melhor povo do mundo. Talvez na linha da bonomia que o caracteriza. Se lermos as obras do grande historiador Oliveira Martins, chegamos à conclusão de que não é bem assim. Somos, como qualquer outro povo, uma mescla de virtudes e defeitos. Entre os primeiros está, sem dúvida, o ser solidário, especialmente nas épocas de tormentas.
O caso de Leiria é elucidativo. O projeto “Reerguer Leiria” recebeu quase 400 toneladas de bens alimentares, de higiene e material de construção, tendo sido apoiadas 8.600 famílias. A Diocese de Leiria-Fátima teve prejuízos de 12 milhões de euros em edifícios religiosos como: capelas, igrejas e santuários. A depressão Kristin atingiu quase metade dos templos da diocese, nomeadamente nos concelhos da Batalha, Pombal, Marinha Grande, Leiria, Alcobaça, Alcanena e Ourém.
Também aí se começa a sentir a solidariedade do povo anónimo, embora a recuperação desses edifícios careça de apoios do Estado. O auxílio veio de todo o país, do norte ao sul. (Rio Maior esteve integrado nesse projeto).
Algumas empresas mais robustas financeiramente, também atingidas, foram muito solidárias com os que sofreram os efeitos desta calamidade.
Ao contrário do que dizem alguns populistas, o Estado não tem capacidade de estar em todo o lado, vinte e quatro horas por dia. Por isso, daqui vai um louvor às instituições privadas e de solidariedade social que estiveram na linha da frente, na resposta à tempestade., nomeadamente bombeiros e misericórdias. Tiramos o “nosso chapéu” à Cáritas de Leiria que foi uma retaguarda importante no apoio às famílias afetadas por esta tragédia.
Pedro Abrunhosa veio recentemente às Caldas da Rainha realizar dois espetáculos, de alto nível, onde a temática da apologia da paz esteve muito presente. É sempre assim. Foi o caso do recente concerto no Meo Arena. Também, aí, o grande artista expressou o seu lado humanista: o respeito pelos mais fracos, revelando a sua faceta de místico. No fim de cada atuação, fica sempre no ar uma atmosfera emotiva, intensa e solidária.
O conceituado músico doou a receita de um dos espetáculos às instituições caldenses. Sobre este seu gesto, Abrunhosa disse que não se trata de solidariedade, mas de obrigação e dever. Estamos habituados a ouvir falar da chamada “caridade cristã”. A verdade é que a solidariedade é isso e muito mais. Uma obrigação de crentes e não crentes.
Notas finais – Natural da Marinha Grande, a Ministra Margarida Balseiro Lopes visitou recentemente esta região, várias vezes, de modo discreto, para se inteirar dos estragos. Esteve, quase sempre, como deve ser, longe dos holofotes televisivos. Só dignifica a sua atitude.
Como curiosidade, diremos que o seu pai é o antigo jornalista Fernando Lopes, proprietário do ”Jornal da Marinha Grande” que chegou a ser impresso em Rio Maior.
Voltando ao espetáculo de Abrunhosa nas Caldas da Rainha, transcrevemos uma parte do texto publicado no “Jornal das Caldas”, na edição de 18 de fevereiro: «O responsável pelo “Grupo Amigos pela Paz” de Rio Maior, António Fróis Rafael, entregou a distinção de Embaixador da Paz a Pedro Abrunhosa, justificando-a com o constante compromisso do artista com mensagens de paz nas suas canções e concertos».
















