

Por João Maurício
O dia 14 de junho teve uma noite muito fria que, de súbito, aqueceu a Praia de Santa Cruz, onde aconteceu o chamado Carnaval de Verão. A terra encheu-se de vida. Foram milhares de figurantes, crianças e adultos, que recriaram o Carnaval de Torres Vedras. Mesmo quem não é adepto destas brincadeiras ficou fascinado com tanta alegria, ritmo, cor, excentricidade, sátira política e social.
Os torrienses não se fecharam sobre si mesmos e abriram-se ao país com representações de grande qualidade, de outros carnavais: Amarante, Podence (Macedo de Cavaleiros), Ovar, Cabanas de Viriato (Carregal do Sal).
Um evento único, com os espectadores, no final, a participarem, onde o dinamismo foi rei. O desfile não teve um tema central, mas antes uma mescla de assuntos: o 25 de Abril, o mundo da rádio, a questão ambiental, a política, entre outros.
A organização, que esteve a cargo da Confraria do Carnaval de Torres e da empresa municipal Promotorres, foi excelente.
O Carnaval de Torres celebrou 100 anos, em 2023 e, embora seja urbano, apresenta ainda reminiscências do Entrudo rural. Segundo os historiadores locais, há referência aos festejos carnavalescos espontâneos em Torres Vedras, já em 1574 (Reinado de D. Sebastião). Interrompido entre 1941 e 1945, devido à Segunda Guerra Mundial, voltou em 1946, ainda, com mais força. Hoje, está integrado no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial, desde 2022.
Figuras típicas desta atividade são as matrafonas, ex-libris das mesmas. Devido ao Covid-19, a festa esteve cancelada em 2021 e 2022.
Recordamos que o Carnaval de Verão, em Santa Cruz, se realiza nessa bela praia de forma descontínua. Mas há registos dessa atividade turística, já em 1931.
A verdade é que o Município torreense tem vindo a dinamizar, cada vez mais, a economia local e estas manifestações culturais têm sido uma forma de afirmação dos usos e costumes, neste concelho oestino.














