
Por João Maurício
Existe um Fado de Coimbra que começa assim: “Dentro de ti, ó Leiria / vive uma moira encantada”. Estamos perante um hino à cidade do Lis que foi conquistada aos mouros, em 1135 e voltou a ser reconquistada pelos cristãos, em 1142.
A cidade tem uma longa e rica história, tendo passado por muitas tormentas. Quase desapareceu com as invasões de Napoleão. O seu Regimento de Infantaria 7 foi o mais dizimado durante a Primeira Guerra Mundial. Leiria é uma cidade que me diz muito e de que sempre gostei. Fazendo parte da chamada Região Centro, há naquela gente já uma leve maneira de falar diferente, onde as influências nortenhas aparecem de modo leve. A primeira vez que lá fui, foi em 1960, já lá vão sessenta e seis anos. A partir daí, visito-a com regularidade.
Ainda sou do tempo em que a cidade era uma quase reprodução do “Crime do Padre Amaro”. Uma terra fechada, retrógrada, parada no tempo. Aquela terra teve a sorte de ter tido um grupo de filhos distintos, à cabeça dos quais está, por exemplo, José Lúcio da Silva. Gente ousada, visionária e bairrista. De súbito, Leiria começa a dar um passo de gigante, quando aparecem as primeiras fábricas de plástico. O concelho tornou-se um polo industrial fortíssimo, dos mais importantes do país.
O município sofreu agora um enorme golpe devido à depressão Kristin. Não tenho nenhuma dúvida de que Leiria vai reerguer-se, porque o concelho leiriense tem dentro de si potencialidades enormes e uma grande capacidade de se recompor. Voltará, mais cedo ou mais tarde, a fervilhar de vida.
O jornal “Região de Leiria” publicou na sua recente edição de 5 de fevereiro um excelente Editorial com o título “Entre Lágrimas e Esperança”.
O diretor Francisco Rebelo escreveu o seguinte: Teremos saudades das velhas igrejas, de recintos desportivos e de instalações fabris que nos habituámos a ter como referência. Alguns espaços irão perder-se para sempre, outros vão conhecer reconstruções, nada ficará igual. Nesta caminhada em que respondemos às adversidades, se nos faltar ânimo, deixemo-nos tocar pelo exemplo de milhares de voluntários que vieram ajudar e pela fraternidade que se estabeleceu entre vizinhos, bem como pela entrega de autarcas, bombeiros, forças de segurança e outros representantes do Estado. Uns por amor ao próximo e cidadania, outros por dever do ofício, todos fazem parte deste percurso. Não desistir é homenagear quem partiu, e quem está, e quem vem a seguir, é cumprir a vida.
A cidade do Lis não é só indústria. Possui um comércio forte, um centro comercial dos mais importantes do País, um quartel, três hospitais, serviços distritais de várias áreas, como finanças, segurança social e muitos mais. Leiria tem dois estabelecimentos prisionais. É sede de uma diocese e entre os vários estabelecimentos de ensino, destaca-se o Instituto Politécnico com treze mil alunos e mais de mil e quinhentos trabalhadores, uma costa marítima e muito mais. Por isso, com mais ou menos dificuldade, o concelho vai levantar-se.
Que assim seja!
















